Correios não atingem meta de entregas no prazo em 2025 e crise financeira agrava atrasos

Levantamento mostra que nenhuma unidade estadual cumpriu objetivo de 95,54%; Região Norte concentra os piores índices.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

Os Correios não conseguiram cumprir a meta de entregas dentro do prazo em nenhuma unidade estadual até setembro de 2025. De acordo com levantamento divulgado, a estatal registrou índice nacional de 90,18%, abaixo dos 95,54% estabelecidos como meta. A Região Norte concentra seis dos sete piores desempenhos do país.

Entre os resultados mais críticos está Roraima, com apenas 64,84% das encomendas entregues no prazo — cerca de 30 pontos percentuais abaixo da meta local. A avaliação considera objetos dos serviços de Encomenda, Logística e Mensagens, incluindo entregas fora do prazo, extravios e roubos contabilizados nas Superintendências Estaduais.

De acordo com a empresa, o monitoramento do sistema interno apontou “carga represada” em centros de origem e destino, reflexo de gargalos operacionais e acúmulo de encomendas.

Apesar do cenário negativo, os Correios afirmam que o resultado foi 0,71 ponto percentual superior ao registrado no mesmo período de 2024.

A estatal admite que o backlog expôs falhas no processamento de cargas nos principais centros logísticos, agravadas pela carência de mão de obra terceirizada e ajustes pendentes no fluxo produtivo.

Ao longo de 2025, transportadoras aéreas e rodoviárias deixaram de receber valores contratados. Até julho, 41 empresas moviam 58 ações judiciais cobrando R$ 104 milhões em faturas atrasadas. Parte delas suspendeu os serviços a partir de abril, após notificações públicas.

No acumulado do ano, os Correios deixaram de quitar cerca de R$ 3,7 bilhões em obrigações com fornecedores, além de compromissos com o fundo de pensão Postalis, o plano Postal Saúde e tributos federais.

Em meio à crise, os Correios firmaram, em dezembro de 2025, contrato de R$ 12 bilhões com Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O acordo, válido até 2040 e com garantia da União, integra o plano de reestruturação financeira autorizado pelo Tesouro Nacional.

Para tentar normalizar as entregas, a empresa anunciou:

- Prioridade de pagamento a fornecedores logísticos;

- Negociação de parcelamentos para retomada dos serviços;

Contratação emergencial de operadores regionais;

Revisão da malha de transporte aéreo e terrestre;

Ampliação de viagens extras na Linha de Transporte Nacional e na Rede Postal Noturna;

Implementação de matriz de criticidade para priorizar encomendas urgentes.

Com desempenho abaixo da meta e pressão financeira crescente, os Correios enfrentam o desafio de reestruturar operações e restabelecer a regularidade das entregas, enquanto dependem do plano de recuperação e do crédito bilionário para tentar reverter a crise logística.

Fonte: Correios / correio*

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