Comer carboidrato à noite engorda? Estudos indicam que o horário não é o vilão

Pesquisas apontam que qualidade e quantidade dos alimentos têm maior impacto no peso e na glicemia.

Foto: Reprodução.

A ideia de que consumir carboidratos à noite causa ganho de peso e descontrole metabólico ainda é comum, mas não encontra respaldo nas evidências científicas mais recentes. Especialistas afirmam que o fator decisivo para o equilíbrio da glicose e do peso corporal está na qualidade dos alimentos e na quantidade ingerida ao longo do dia, e não no horário da refeição.

De acordo com a nutricionista Letícia Ramalho, doutora em cronobiologia e sono pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), os estudos mais consistentes mostram que uma alimentação equilibrada, independentemente do momento em que é consumida, exerce maior influência sobre o metabolismo. Essa conclusão é reforçada por pesquisa publicada em 2025 na revista científica Nutrients, que acompanhou adultos com diabetes e pré-diabetes utilizando monitoramento contínuo da glicose.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Aberta da Catalunha em parceria com instituições dos Estados Unidos, destacou que a resposta do organismo aos carboidratos varia conforme a sensibilidade individual à insulina. Segundo a endocrinologista Cláudia Schimidt, do Hospital Israelita Albert Einstein, a resistência insulínica é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2.

Antes do diagnóstico da doença, muitos pacientes passam pelo estágio de pré-diabetes, caracterizado por alterações nos níveis de glicose no sangue. Nessa fase, mudanças no estilo de vida podem evitar a progressão do quadro. Alimentação balanceada, prática regular de atividade física e redução da gordura abdominal são estratégias fundamentais para o controle metabólico.

Especialistas reforçam que os carboidratos não precisam ser excluídos da alimentação noturna. A recomendação é priorizar versões integrais e ricas em fibras, como grãos, leguminosas e tubérculos, sempre com moderação. O equilíbrio do prato, e não o relógio, é o que realmente faz a diferença para a saúde.

Fontes: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRG / Revista Nutrien / Hospital Israelita Albert Einstein

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