A liberação de mais de 1,5 milhão de mosquitos machos infectados com a bactéria Wolbachia em Barcelona, na Espanha, chama a atenção para novas estratégias de controle de doenças transmitidas por mosquitos. No Brasil, a técnica também é utilizada, mas com uma abordagem diferente: reduzir a capacidade do Aedes aegypti de transmitir vírus.
Como funciona a estratégia na Espanha?
A Agência de Saúde Pública de Barcelona iniciou uma operação com a liberação de cerca de 80 mil mosquitos-tigre-asiáticos (Aedes albopictus) machos por semana. O objetivo é dificultar a reprodução da espécie e, assim, diminuir sua população.
A bactéria Wolbachia provoca incompatibilidade reprodutiva em determinadas combinações entre machos e fêmeas, reduzindo a possibilidade de geração de descendentes. A iniciativa busca complementar medidas tradicionais, como a eliminação de água parada e o controle de criadouros.
Método também é utilizado no Brasil
No Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolve o Método Wolbachia desde 2014, utilizando mosquitos Aedes aegypti com a bactéria para reduzir a transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya.
Estudos realizados em áreas de Niterói, no Rio de Janeiro, apontaram reduções aproximadas de 70% nos casos de dengue, 60% de chikungunya e 40% de zika. Os resultados se referem às áreas estudadas e não representam necessariamente os mesmos efeitos em todas as localidades.
A estratégia também integra ações de combate às arboviroses em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
Campinas deve receber o método em 2027
No interior de São Paulo, Campinas foi selecionada para receber o Método Wolbachia. Conforme a previsão divulgada, a soltura dos mosquitos deve começar em maio de 2027, com os primeiros resultados esperados para 2028.
Embora utilizem a mesma bactéria, as estratégias têm objetivos distintos: na Espanha, a técnica busca reduzir a reprodução do mosquito-tigre-asiático; no Brasil, pretende diminuir a capacidade do Aedes aegypti de transmitir doenças. As ações devem ser combinadas com a eliminação de criadouros e a vigilância epidemiológica.
Fontes: Agência de Saúde Pública de Barcelona, jornal Diari de Catalunya e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
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