Brasil pode levar até dois anos para retomar exportação de carne bovina à União Europeia

Exigências sanitárias sobre o uso de antimicrobianos tornam a retomada da carne bovina mais complexa do que a de frango.

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil.

O Brasil pode levar até dois anos para voltar a exportar carne bovina para a União Europeia, segundo estimativa apresentada nesta segunda-feira (28) por Eric Thévenard, chefe de auditorias da autoridade sanitária europeia. A previsão está relacionada à exigência de que os animais destinados ao mercado europeu cumpram os protocolos sobre antimicrobianos durante todo o ciclo de vida.

“De agora até daqui a dois anos, não deve vir carne bovina do Brasil”, afirmou Thévenard a integrantes da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu. Segundo ele, o período entre o nascimento e o abate do gado é de aproximadamente dois anos.

A restrição entrou em vigor para produtos de origem animal de países que não apresentem garantias de cumprimento das regras europeias sobre antimicrobianos. As normas proíbem o uso dessas substâncias para promover crescimento ou aumentar rendimento e restringem medicamentos reservados ao tratamento de determinadas infecções em humanos.

No caso da carne bovina, a exigência é considerada mais complexa porque o cumprimento das regras precisa ser demonstrado durante toda a vida do animal. A Comissão Europeia já informou que a auditoria realizada no Brasil em setembro envolveu as cadeias de carne de aves e mel, e não a produção bovina.

Para atender às exigências, o Ministério da Agricultura e Pecuária apresentou garantias e medidas de controle. Entre elas está um protocolo para exportação de bovinos livres de determinados antimicrobianos, além de regras de rastreabilidade, fiscalização e bloqueio de lotes em caso de irregularidades.

O governo brasileiro também vem ajustando as normas nacionais. A Portaria SDA/MAPA nº 1.600/2026, por exemplo, restringe o registro, a importação e o uso de determinados princípios ativos reservados ao uso humano.

A situação da carne de frango apresenta um cenário diferente. Uma auditoria europeia realizada no Brasil entre 24 de agosto e 4 de setembro avaliou granjas, estabelecimentos de abate e o sistema oficial de controle. O relatório divulgado em 28 de setembro concluiu que o sistema brasileiro apresenta condições para atender aos requisitos europeus para aves e mel.

A decisão final sobre a reinclusão dessas cadeias na lista de fornecedores da União Europeia deverá seguir as etapas administrativas do bloco, com discussão prevista no comitê europeu responsável pelo tema nos dias 20 e 21 de outubro.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 1,049 bilhão em carne bovina para a União Europeia, valor equivalente a aproximadamente R$ 5,7 bilhões. Enquanto busca atender às exigências sanitárias, o governo brasileiro aguarda os próximos procedimentos europeus para avançar na retomada das vendas de carne bovina ao bloco.

Fontes: Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa); Comissão Europeia

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