Doação de órgãos após os 60 anos exige avaliação individualizada

Idade avançada não impede doação em vida, mas avaliação médica considera condições de saúde, riscos e funcionamento do órgão.

Foto: © Divulgação/Ministério da Saúde.

A idade, por si só, não impede uma pessoa de se tornar doadora de órgãos em vida. Segundo o Ministério da Saúde, é possível doar um dos rins, parte do fígado, da medula ou dos pulmões, desde que sejam atendidos os critérios médicos e de compatibilidade necessários.

Um caso ocorrido em 2023 mostra que pessoas com mais de 60 anos também podem ser avaliadas para esse tipo de procedimento. Aos 69 anos, um pai foi considerado totalmente compatível e doou um dos rins ao filho, que enfrentava perda da função renal e dependia de hemodiálise frequente.

Antes da doação, o possível doador passa por uma avaliação detalhada, que considera histórico clínico, doenças preexistentes, funcionamento dos rins, exames de sangue e urina, avaliação cardiovascular e exames de imagem. O objetivo é reduzir os riscos para quem doa e garantir condições adequadas para o receptor.

De acordo com especialistas, a análise tende a ser ainda mais criteriosa quando o doador tem mais de 60 anos. Isso ocorre porque o envelhecimento aumenta a possibilidade de doenças como hipertensão, diabetes e alterações cardiovasculares ou renais, que podem elevar os riscos da cirurgia.

A decisão não é baseada apenas na idade. Os médicos avaliam o estado geral de saúde, a expectativa de vida, a capacidade de permanecer saudável com um único rim e os riscos relacionados ao procedimento.

Também são analisadas as condições do órgão que será transplantado e as perspectivas de funcionamento após a cirurgia. Dessa forma, a equipe busca equilibrar a segurança do doador com os benefícios esperados para o receptor.

Em 2025, o Brasil registrou 4.335 doadores efetivos, alcançando a marca de 20,3 doadores por milhão de habitantes, segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes. Apesar do avanço, cerca de 49,4 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante.

No caso da doação em vida, a legislação permite o procedimento entre parentes de até quarto grau e entre cônjuges sem necessidade de autorização judicial. Para pessoas sem esse grau de parentesco, a doação pode ocorrer mediante autorização da Justiça.

Assim, a idade acima dos 60 anos não representa uma contraindicação automática para a doação em vida. A possibilidade depende das condições clínicas e dos resultados da avaliação médica, que deve determinar se o procedimento oferece segurança suficiente para o doador e condições adequadas para o receptor.

Fonte: Ministério da Saúde / Sistema Nacional de Transplantes

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