Uma pesquisa divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra que a palmada ainda é considerada por algumas famílias brasileiras como uma forma de disciplinar crianças. O estudo identificou que muitos responsáveis diferenciam tapas e chineladas de agressões mais graves e, por isso, não reconhecem essas práticas como violência.
O levantamento teve foco principalmente na primeira infância, período que vai até os 6 anos, e ouviu 214 pessoas em comunidades de maior vulnerabilidade no Rio de Janeiro, Recife e Manaus. Entre os participantes estavam pais, cuidadores e lideranças comunitárias.
Segundo o estudo, a falta de alternativas para lidar com birras e comportamentos difíceis pode levar adultos a agir por impulso e, posteriormente, demonstrar arrependimento. O Unicef também apontou dificuldades na capacitação de profissionais da rede de proteção e no acesso das famílias aos serviços públicos.
A legislação brasileira proíbe o uso de castigos físicos e tratamentos cruéis ou degradantes contra crianças e adolescentes. A Lei Menino Bernardo, incorporada ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), estabelece medidas de proteção e orientação às famílias.
Especialistas ouvidos no estudo destacam que crianças pequenas ainda estão desenvolvendo mecanismos de autorregulação emocional, controle de impulsos e tolerância à frustração. Por isso, recomendam que os adultos acolham os sentimentos, estabeleçam limites claros e orientem a criança quando ela estiver em condições de compreender.
O Unicef defende o fortalecimento de ações preventivas, campanhas educativas e capacitação dos profissionais que atuam na rede de proteção. A proposta é ampliar o apoio às famílias e incentivar estratégias de educação baseadas no diálogo e em limites, sem o uso de violência.
Fonte: Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) / Agência Brasil
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