Doenças inflamatórias intestinais aumentam cinco vezes no Brasil em 13 anos

Prevalência de doenças como Crohn e retocolite ulcerativa passou de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes entre 2012 e 2025.

Foto: © Nadzeya/ Adobe Stock.

O número de pessoas com doenças inflamatórias intestinais (DII) cresceu cinco vezes no Brasil entre 2012 e 2025, segundo levantamento baseado em registros do Sistema Único de Saúde (SUS). A prevalência, que era de 30 casos por 100 mil habitantes, chegou a 158 no período. Entre as principais doenças estão a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Dados anteriores já apontavam crescimento expressivo da prevalência das DII no país.

O estudo apresentado no 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia também identificou aumento na ocorrência de novos diagnósticos. A taxa anual passou de 9,35 para 12,34 casos por 100 mil habitantes entre 2012 e 2025.

As doenças inflamatórias intestinais são condições crônicas relacionadas a alterações do sistema imunológico e envolvem diferentes fatores. Pesquisas indicam a participação de componentes genéticos, ambientais, alimentares e relacionados à microbiota intestinal.

A doença de Crohn pode atingir diferentes segmentos do sistema digestivo, enquanto a retocolite ulcerativa afeta principalmente o intestino grosso. Ambas podem apresentar períodos de atividade e remissão e demandam acompanhamento médico contínuo.

Entre os fatores ambientais estudados estão mudanças nos hábitos alimentares e o maior consumo de alimentos ultraprocessados. No entanto, a origem das DII não é atribuída a uma única causa, sendo considerada multifatorial.

O levantamento projeta que a taxa de novos casos poderá chegar a 22,7 por 100 mil habitantes em 2035. A prevalência, por sua vez, pode alcançar 264 casos por 100 mil habitantes no mesmo ano, caso a tendência observada seja mantida.

O aumento da prevalência também representa maior demanda por diagnóstico, acompanhamento e tratamento. Estudos nacionais apontam que as DII vêm ganhando relevância no sistema de saúde brasileiro, com crescimento acumulado da quantidade de pessoas diagnosticadas.

As doenças não possuem cura definitiva, mas os tratamentos disponíveis buscam controlar a inflamação, reduzir os sintomas e manter a doença em remissão. O acompanhamento pode se prolongar por muitos anos, especialmente porque parte dos pacientes recebe o diagnóstico ainda jovem.

Fontes: Sistema Único de Saúde (SUS); Ministério da Saúde; Conitec; Sociedade Brasileira de Coloproctologia. / agência Brasil

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