Quatro em cada dez mulheres já recusaram trabalho por dificuldades de transporte

Pesquisa aponta que insegurança, custo, tempo de deslocamento e precariedade do transporte limitam oportunidades profissionais e educacionais.

Foto: © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil.

Quatro em cada dez mulheres no Brasil (39%) afirmam já ter desistido de uma vaga de emprego ou oportunidade profissional por dificuldades de deslocamento. Os dados são da pesquisa O Direito de Ir, Vir e Viver, que ouviu 564 mulheres e identificou a insegurança, o custo e as condições do transporte entre os principais obstáculos.

Mais da metade das entrevistadas (54%) também já deixou de participar de compromissos ou convites profissionais. Além disso, 21% relataram ter desistido de cursos de capacitação ou até mesmo da faculdade por problemas relacionados à mobilidade.

A insegurança ou violência foi apontada como principal impedimento por 32% das participantes. Na sequência aparecem falta de dinheiro (22%), precariedade do transporte público (15%) e distância dos destinos (14%).

O impacto também atinge a vida pessoal. Oito em cada dez mulheres disseram já ter deixado de participar de encontros ou atividades sociais, enquanto 69% evitam sair à noite. Para se proteger, 87% evitam determinadas regiões e 60% já mudaram o trajeto até o destino.

O assédio sexual também aparece entre os problemas relatados. Segundo a pesquisa, 89% das entrevistadas afirmaram ter sofrido assédio em pelo menos um meio de transporte, com maior frequência em ônibus, deslocamentos a pé e metrô ou trem.

O levantamento mostra ainda que renda e responsabilidades de cuidado influenciam diretamente as escolhas de transporte. Para as entidades responsáveis pela pesquisa, os dados reforçam a necessidade de políticas de mobilidade que considerem segurança, acessibilidade, custo e as diferentes necessidades das mulheres.

Fontes: Indique / Think Eva / 99 — pesquisa O Direito de Ir, Vir e Viver / agência Brasil

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