O upadacitinibe apresentou resultados promissores no tratamento da alopecia areata grave, doença autoimune que provoca queda de cabelo. Em dois estudos clínicos de fase 3, cerca de 55% dos participantes que receberam a dose mais alta do medicamento atingiram pelo menos 80% de cobertura do couro cabeludo após seis meses.
Os estudos UP-AA1 e UP-AA2 envolveram 1.399 adolescentes e adultos, entre 12 e 64 anos, com perda de pelo menos metade dos cabelos do couro cabeludo. Os resultados foram publicados na revista científica JAMA Dermatology.
Na dose de 30 mg por dia, 55% dos participantes do primeiro estudo e 54,3% do segundo atingiram pontuação SALT de até 20, indicador correspondente a 80% ou mais de cobertura capilar.
A dose de 15 mg também apresentou resultados superiores ao placebo: 45,2% e 44,6% dos participantes dos dois estudos, respectivamente, alcançaram o mesmo nível de recuperação. Entre os pacientes que receberam placebo, os índices ficaram em 1,5% e 3,4%.
Efeito em sobrancelhas e cílios
O tratamento também favoreceu o crescimento de sobrancelhas e cílios. Entre os pacientes que apresentavam perda desses pelos, a dose de 30 mg proporcionou melhora significativa nas sobrancelhas em aproximadamente 59% a 62% dos casos. Para os cílios, os resultados variaram de 59% a 61%.
Apesar dos resultados positivos, a recuperação completa não ocorreu para todos. Após 24 semanas, cerca de 20% a 23% dos pacientes que receberam 30 mg apresentaram cobertura total do couro cabeludo.
O upadacitinibe é um inibidor seletivo das enzimas Janus quinase (JAK). Nos estudos, o perfil de segurança foi semelhante ao já conhecido em outras indicações aprovadas, sem novos sinais de segurança identificados no período analisado. Entre os efeitos adversos mais frequentes estiveram infecções respiratórias, acne, aumento da creatina fosfoquinase e nasofaringite.
Os resultados indicam que o upadacitinibe pode se tornar uma alternativa para adolescentes e adultos com alopecia areata grave. No entanto, os dados dos estudos clínicos não significam que o medicamento esteja aprovado para essa finalidade em todos os países.
Fontes: JAMA Dermatology; estudos clínicos UP-AA1 e UP-AA2
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