Terceirizados da Coelba param em Guanambi e denunciam quase 5 anos sem FGTS:

Mais de 100 trabalhadores da EPCL, empresa terceirizada da Neoenergia Coelba, mantêm paralisação e cobram salários, férias, FGTS, equipamentos de segurança e veículos em condições adequadas de trabalho.

Mais de 100 trabalhadores terceirizados da Neoenergia Coelba, vinculados à empresa EPCL, estão no terceiro dia de paralisação em Guanambi, no sudoeste da Bahia. A mobilização começou na terça-feira (8) e reúne profissionais que atuam em Guanambi e em municípios da região, como Caetité, Igaporã, Palmas de Monte Alto, Sebastião Laranjeiras, Candiba, Carinhanha, Iuiú e Malhada.

Os trabalhadores afirmam que decidiram interromper as atividades após anos de cobranças sem uma solução definitiva para uma série de problemas que, segundo eles, envolvem depósitos de FGTS atrasados há quase cinco anos, salários pagos fora do prazo, férias sem pagamento regular, falta ou precariedade de equipamentos de proteção e veículos sem condições adequadas para a execução segura dos serviços.

A paralisação ocorre em frente à unidade da Neoenergia Coelba em Guanambi e tem como principal objetivo pressionar por uma resposta das empresas e pela regularização das supostas pendências trabalhistas.

Trabalhadores dizem que esperaram durante anos por uma solução

Em entrevista ao Neide Lu Fala Você Notícias, trabalhadores relataram que as reclamações não começaram agora.

José Reis, funcionário da EPCL, afirmou que o problema mais grave seria a falta de recolhimento do FGTS, que, segundo ele, se estende por mais de quatro anos.

Além disso, relatou atrasos frequentes no pagamento dos salários e problemas relacionados às férias.

Segundo o trabalhador, em determinada situação, ele teria recebido o pagamento das férias somente 58 dias após o início do período de descanso. “A gente vem mais de mês sem trabalhar e simplesmente não dá uma resposta”, afirmou José Reis durante a entrevista.

Os trabalhadores também reclamam da dificuldade de diálogo direto com a EPCL. Segundo os relatos, o contato com a empresa tem ocorrido principalmente por meio de mensagens de WhatsApp.

“Só muda a data”, afirma funcionário sobre mensagens de pagamento

Outro trabalhador entrevistado, Vimerson Eduardo, afirmou que a situação financeira dos funcionários se agravou com atrasos também no salário e no ticket-alimentação.

Segundo ele, os trabalhadores recebem mensagens informando novas datas para pagamentos, mas relatam que os prazos anteriormente anunciados nem sempre teriam sido cumpridos.

Vimerson afirmou ainda que existem funcionários que estão recorrendo à rescisão indireta e buscando orientação jurídica diante do cenário.

De acordo com o trabalhador, entre cinco e 15 funcionários estariam deixando a empresa semanalmente, em meio às dificuldades enfrentadas.

Falta de EPI e veículos em condições precárias também são denunciadas

Além das questões trabalhistas, os funcionários denunciam problemas relacionados à segurança no trabalho.

Eles afirmam que equipamentos de proteção individual (EPI) e equipamentos de proteção coletiva (EPC) estariam degradados ou até mesmo ausentes em algumas situações.

Também são relatadas condições precárias de veículos e caminhões utilizados nas atividades.

José Reis classificou alguns dos veículos e ferramentas como “sucata” e afirmou que existiriam equipamentos sem condições adequadas para a execução dos serviços.

Vimerson reforçou a denúncia e afirmou que uma fiscalização realizada na base da EPCL teria constatado problemas relacionados aos equipamentos e veículos.


Reunião com diretoria da Coelba Guanambi.

Neoenergia Coelba recebeu trabalhadores e teria solicitado informações

Na terça-feira (8), representantes dos trabalhadores participaram de uma reunião com o gerente da Neoenergia Coelba em Guanambi.

Segundo os funcionários, a empresa informou que levaria as reivindicações à direção da EPCL para buscar uma solução.

Também foi solicitada uma vistoria para verificar as condições dos equipamentos e veículos utilizados pelos trabalhadores.

De acordo com os relatos apresentados à reportagem, a vistoria ocorreu na manhã de quarta-feira (9), quando teriam sido verificadas as condições denunciadas pelos trabalhadores.

Os funcionários afirmam que, até o terceiro dia da mobilização, ainda aguardavam uma resposta definitiva da EPCL.

Trabalhadores questionam possível caução contratual

Durante a mobilização, os funcionários também questionaram a existência de uma possível caução contratual relacionada ao contrato entre a empresa terceirizada e a Neoenergia Coelba.

Segundo Vimerson, os trabalhadores perguntaram durante a reunião se existiria algum recurso retido que pudesse ser utilizado diante de situações envolvendo obrigações da empresa terceirizada.

Ainda de acordo com o trabalhador, o representante da Coelba teria informado que buscaria mais informações junto à diretoria.

Os manifestantes afirmam que esperam justamente uma resposta sobre essa questão e sobre quais medidas poderão ser adotadas para garantir o pagamento das obrigações trabalhistas.

Paralisação pode afetar serviços na região

Os trabalhadores terceirizados são responsáveis por atividades relacionadas à prestação de serviços da rede elétrica em diversos municípios da região de Guanambi.

Com a paralisação, serviços como manutenção, vistorias e outras atividades executadas pelas equipes terceirizadas podem sofrer impacto enquanto o movimento permanecer.

Os trabalhadores, entretanto, afirmam que desejam uma solução para as reivindicações antes de retomar integralmente as atividades.

Trabalhadores procuram Ministério do Trabalho e apoio jurídico

Diante da ausência de uma solução, os funcionários afirmam que já realizaram denúncias junto ao Ministério do Trabalho e também buscaram apoio jurídico.

Alguns trabalhadores estariam ingressando com pedidos de rescisão indireta e procurando advogados para avaliar individualmente a situação.

O grupo também relata ter buscado o sindicato, embora os entrevistados tenham afirmado não possuir, até o momento, informações suficientes sobre uma atuação efetiva da entidade na mobilização.

“Queremos uma posição”, dizem manifestantes

A principal reivindicação apresentada pelos trabalhadores é que EPCL e Neoenergia Coelba apresentem uma posição clara sobre o futuro do contrato e sobre as pendências relatadas.

A mobilização continua em Guanambi enquanto os trabalhadores aguardam respostas.

Para eles, depois de anos de promessas, mensagens e cobranças, chegou o momento de transformar as reivindicações em soluções concretas.

A reportagem do Neide Lu Fala Você Notícias procurou a assessoria de imprensa da Coelba para obter um posicionamento e foi encaminhado esclarecendo o seguinte:

Solicitação de terceirizados em Guanambi

A Neoenergia Coelba esclarece está em conformidade com todas as obrigações estabelecidas em contrato firmado com a empresa EPCL. A distribuidora reforça ainda que todas as exigências da legislação trabalhista são rigorosamente cumpridas pela companhia e que não existem pendências financeiras com a prestadora de serviços. A Neoenergia Coelba está em contato com a empresa terceirizada para esclarecimento do tema.

EPCL ainda não se manifestou

O espaço permanece aberto para manifestação das empresas e para eventuais esclarecimentos ou apresentação de documentos que contribuam para o esclarecimento dos fatos.

Uma pergunta que permanece: até quando?

O movimento dos trabalhadores da EPCL coloca em evidência uma questão que vai muito além de um contrato empresarial: como ficam os direitos, a segurança e a dignidade de quem está diariamente nas ruas trabalhando para manter os serviços de energia funcionando?

Enquanto os trabalhadores dizem que esperaram anos por uma solução, a paralisação chega ao terceiro dia e aumenta a pressão por uma resposta.

Vistoria da Coelba nos equipamentos.

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