Projeto de lei prevê devolução de dinheiro perdido em golpes pelo Pix em até cinco dias

Proposta apresentada na Câmara quer obrigar bancos a reembolsar vítimas de fraudes e dividir prejuízos entre as instituições financeiras.

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil.

Vítimas de golpes envolvendo o Pix poderão ter direito ao reembolso integral dos valores perdidos em até cinco dias úteis, caso seja aprovado um novo projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados. A proposta prevê mudanças nas regras de responsabilização dos bancos em casos de transferências feitas para contas utilizadas por criminosos.

O Projeto de Lei nº 3127/2026 estabelece que a instituição financeira poderá ser obrigada a devolver o dinheiro à vítima mesmo quando os valores transferidos não forem recuperados na conta que recebeu os recursos.

A medida ainda precisa passar pela análise e votação do Congresso Nacional antes de entrar em vigor.

Pelo texto da proposta, a vítima deverá comunicar a instituição financeira sobre a fraude em até 80 dias após a realização da transação.

Em situações que exijam investigação mais complexa, o banco poderá ter até 35 dias úteis para concluir a apuração. O reembolso só poderia ser negado caso a instituição comprovasse que o próprio cliente participou da fraude ou agiu intencionalmente para provocar o prejuízo.

A proposta busca transformar o ressarcimento das vítimas em uma obrigação mais clara para as instituições financeiras, reduzindo a necessidade de disputas judiciais individuais.

Atualmente, o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central para casos de fraude no Pix, permite rastrear valores transferidos por diferentes contas. No entanto, a devolução depende da existência de saldo disponível nas contas utilizadas pelos criminosos.

Como os recursos podem ser rapidamente transferidos ou retirados, muitas vítimas não conseguem recuperar integralmente o dinheiro perdido.

Com a nova proposta, quando os valores não fossem localizados, o prejuízo poderia ser dividido igualmente entre o banco da vítima e a instituição financeira responsável pela conta que recebeu o dinheiro.

A expectativa é que a mudança aumente a responsabilidade das instituições financeiras e incentive investimentos em sistemas capazes de identificar contas suspeitas e impedir a abertura de contas utilizadas para aplicar golpes.

Na prática, a proposta pretende reduzir o risco financeiro suportado exclusivamente pelas vítimas de fraudes. A responsabilização compartilhada entre os bancos poderia ampliar os mecanismos de prevenção e fiscalização de contas usadas por criminosos.

Caso seja aprovado, o projeto poderá estabelecer novas regras para a devolução de valores e aumentar a proteção dos usuários do Pix, especialmente diante do crescimento das fraudes realizadas por meio de transferências instantâneas.

Fontes: Câmara dos Deputados e Banco Central do Brasil

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