Um estudo publicado no Journal of Consulting and Clinical Psychology indica que a escrita terapêutica pode contribuir para diminuir sintomas de depressão. Segundo a pesquisa, duas semanas de registros orientados sobre experiências pessoais foram suficientes para gerar melhorias que permaneceram por até dois meses.
A pesquisa acompanhou 112 adultos entre 18 e 29 anos com sintomas moderados a graves de depressão. Os participantes escreveram diariamente a partir de perguntas específicas. Enquanto um grupo registrava acontecimentos do cotidiano, o outro era estimulado a refletir sobre experiências marcantes, valores, identidade, objetivos e perspectivas para o futuro.
Os dois grupos apresentaram melhora inicial após duas semanas, mas os efeitos positivos se mantiveram principalmente entre os participantes que fizeram uma reflexão mais profunda sobre a própria história e trajetória.
De acordo com especialistas, construir uma narrativa sobre a própria vida pode fortalecer a percepção de identidade e ajudar a pessoa a não se enxergar apenas por meio de experiências negativas ou fracassos. A prática também pode favorecer uma compreensão mais integrada entre passado, presente e futuro.
Os pesquisadores explicam que pessoas com depressão podem apresentar dificuldade para se conectar com a própria história e estabelecer perspectivas para o futuro. A escrita orientada pode ajudar nesse processo ao estimular a revisão de acontecimentos importantes, a identificação de objetivos e a reflexão sobre os caminhos que podem ser seguidos.
Escrita não substitui tratamento
Apesar dos resultados, os autores ressaltam que a escrita terapêutica não deve substituir tratamentos convencionais para a depressão. A estratégia pode funcionar como complemento, principalmente quando realizada com orientação profissional e integrada ao acompanhamento psicoterápico.
A escolha de adultos jovens também levou em consideração dificuldades financeiras e de acesso a serviços especializados enfrentadas por parte desse público. Por ser uma alternativa de baixo custo, a prática foi considerada uma possibilidade que merece novas investigações.
Especialistas destacam ainda que o cuidado com a saúde mental deve ser multidisciplinar. Atividade física, estudos, psicoterapia e outras estratégias podem contribuir para o bem-estar, conforme as necessidades de cada pessoa.
Entretanto, a escrita pode não ser adequada para todos os momentos. Durante períodos de depressão mais intensa, sem acompanhamento profissional, revisitar lembranças pode reforçar a autocrítica e aumentar o sofrimento. Por isso, pessoas com sintomas de depressão ou suspeita de transtornos mentais devem buscar avaliação especializada.
Em situações de crise emocional ou necessidade de apoio imediato, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito pelo telefone 188.
Fontes: Journal of Consulting and Clinical Psychology e Agência Einstein
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