Bicicletas elétricas e ciclomotores crescem 37 vezes no Brasil e desafiam cidades

Número de veículos de micromobilidade passou de 7,6 mil em 2016 para 284 mil em 2024, ampliando debates sobre segurança e regulamentação.

Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil.

A circulação de bicicletas elétricas, autopropelidos e ciclomotores aumentou 37 vezes no Brasil em oito anos, passando de 7,6 mil unidades em 2016 para 284 mil em 2024. O avanço da micromobilidade, principalmente nos grandes centros urbanos, traz benefícios para deslocamentos curtos, mas também impõe novos desafios de segurança e organização do trânsito.

O crescimento desses veículos já é perceptível em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. Embora sejam alternativas práticas para trajetos urbanos, a convivência com carros, ônibus, motocicletas e pedestres tem provocado conflitos e levantado questionamentos sobre regras de circulação e fiscalização.

Especialistas do setor avaliam que a expansão ocorreu rapidamente porque a população identificou nesses equipamentos uma alternativa eficiente para a mobilidade urbana. O desafio agora é integrar esses veículos ao trânsito de maneira segura e organizada.

Casos de acidentes envolvendo veículos leves e transportes de maior porte também reforçam a preocupação. Uma ocorrência registrada no Rio de Janeiro, em março deste ano, resultou na morte de uma criança de 9 anos e de sua mãe após o autopropelido em que estavam ser atingido por um ônibus.

As regras do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) classificam esses veículos em três categorias principais: bicicletas elétricas, autopropelidos e ciclomotores.

As bicicletas elétricas dependem da propulsão humana e utilizam o sistema de pedal assistido para auxiliar o deslocamento. Já os autopropelidos, com ou sem pedais, podem funcionar sem esforço físico do condutor e têm velocidade máxima de 32 km/h.

Os ciclomotores também não dependem da propulsão humana e podem alcançar até 50 km/h. Diferentemente das duas primeiras categorias, exigem habilitação na categoria A ou autorização para conduzir ciclomotor (ACC), além de registro e licenciamento.

A ausência de exigência de habilitação para autopropelidos é alvo de críticas de representantes ligados à segurança viária. A avaliação é de que a facilidade de acesso, inclusive por adolescentes, pode aumentar os riscos quando esses equipamentos são utilizados de forma inadequada ou em locais incompatíveis.

O crescimento da micromobilidade também exige mudanças na infraestrutura urbana. Especialistas defendem que as cidades precisam ampliar a capacidade de receber bicicletas, veículos elétricos leves e ciclomotores sem comprometer a segurança de pedestres e demais usuários das vias.

A expansão desses meios de transporte, portanto, deve ser acompanhada por planejamento, fiscalização e adequação da infraestrutura. O objetivo é aproveitar o potencial da micromobilidade para facilitar deslocamentos urbanos sem permitir que o aumento da circulação resulte em mais acidentes e conflitos no trânsito.

Fontes: Dados do setor e informações do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) / agência Brasil

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