CBV adota regra do COI e restringe participação de mulheres trans no vôlei feminino

Nova política de elegibilidade para competições femininas de vôlei de quadra e praia exige triagem genética do gene SRY, com exceções previstas para condições específicas.

Foto: Internet.

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou, na sexta-feira (14), a adoção dos critérios estabelecidos pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para a participação na categoria feminina em competições nacionais de vôlei de quadra e praia. A medida restringe a elegibilidade à categoria feminina com base no sexo biológico e prevê a realização de testes para identificação do gene SRY.

Segundo a nova política, as atletas deverão apresentar resultado negativo para o gene SRY, conhecido como uma região do cromossomo Y associada ao desenvolvimento sexual masculino. A CBV informou que seguirá os fundamentos da Política de Proteção da Categoria Feminina do COI, publicada em março deste ano.

De acordo com a entidade, a verificação será realizada por meio de testagem e triagem genética. A regulamentação, no entanto, estabelece exceções para situações específicas, incluindo casos de condições raras que impeçam os efeitos da testosterona sobre o desempenho esportivo, desde que comprovadas por avaliação especializada.

A nova política também gerou repercussão no cenário nacional do voleibol, especialmente por atingir diretamente atletas que já atuam em competições organizadas pela CBV.

O Osasco, clube que conta com uma atleta trans em seu elenco desde 2021, informou ter sido surpreendido pela mudança e destacou que a nova regulamentação foi estabelecida sem consulta prévia à equipe.

Em nota, o clube Osasco afirmou que a decisão tem impacto direto sobre a trajetória da atleta Tifanny Abreu, que integra a equipe há anos e possui uma carreira consolidada dentro e fora das quadras.

A direção informou ainda que o departamento jurídico está analisando os critérios adotados pela CBV para avaliar as medidas que poderão ser tomadas. O clube também declarou apoio à atleta e reafirmou o compromisso com o respeito e a valorização das pessoas que fazem parte de sua história.

A adoção da nova política estabelece, portanto, uma mudança nos critérios de elegibilidade para as competições femininas de vôlei no Brasil. A aplicação das regras deverá ser acompanhada pelos clubes e atletas nas próximas competições organizadas pela confederação.

Fonte: Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e Osasco

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