O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou o atendimento a pessoas que enfrentam problemas relacionados ao uso compulsivo de apostas online. A nova rede de suporte em saúde mental disponibiliza até 100 mil teleatendimentos mensais, de forma gratuita e sigilosa, pelo aplicativo Meu SUS Digital.
A iniciativa funciona em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e integra a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). O modelo remoto busca facilitar o acesso ao atendimento e reduzir barreiras como deslocamento, vergonha e medo de julgamento.
A capacidade de atendimento representa um aumento de mais de 160 vezes em relação às cerca de 600 consultas mensais oferecidas quando o serviço foi lançado, em março.
Para buscar ajuda, o usuário deve acessar o Meu SUS Digital com uma conta Gov.br, entrar na área de saúde mental e realizar um autoteste de triagem. Quando são identificados sinais de risco de dependência, o paciente é encaminhado para atendimento da AgSUS.
O protocolo pode incluir até 10 sessões de 50 minutos com psicólogos e enfermeiros especializados. Familiares também podem receber acolhimento diante dos impactos provocados pelo vício nas relações e nas finanças domésticas.
O Ministério da Saúde destaca que o atendimento remoto pode facilitar a procura por ajuda, principalmente entre pessoas que evitam buscar assistência presencial por constrangimento ou estigma.
A expansão da rede ocorre paralelamente às medidas de monitoramento dos impactos das apostas eletrônicas. Dados oficiais apontam que mais de 1 milhão de brasileiros já solicitaram voluntariamente a autoexclusão da plataforma que permite bloquear o CPF em sites de apostas autorizados.
Entre os usuários que pediram o bloqueio, 35% relataram perda de controle sobre o jogo, enquanto 11,8% apontaram problemas relacionados às finanças pessoais. Durante a Copa do Mundo, entre junho e julho, mais de 387 mil pessoas solicitaram a autoexclusão.
Sinais de alerta
O comportamento compulsivo pode incluir necessidade constante de apostar, tentativa de recuperar dinheiro perdido, ansiedade, irritabilidade, alterações no sono e comprometimento da renda destinada às despesas básicas.
O Ministério da Saúde também disponibilizou orientações para identificar problemas relacionados às apostas e reforça a importância de buscar ajuda precocemente. Quando o atendimento virtual não é suficiente, o paciente pode ser encaminhado para serviços presenciais da RAPS, incluindo os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
A ampliação do atendimento digital busca aproximar a população da rede pública de saúde e oferecer suporte antes que a dependência em apostas provoque consequências mais graves na vida financeira, familiar e emocional.
Fontes: Ministério da Saúde; Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS); Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas
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