Rússia amplia veto à exportação de diesel e pode impactar mercado brasileiro

Prorrogação da restrição até janeiro de 2027 reduz oferta do combustível ao Brasil e aumenta dependência de outros fornecedores.

Foto ilustrativa: Reprodução / Inteligência Artificial (Gemini).

A Rússia prorrogou até 31 de janeiro de 2027 o veto à exportação de diesel e gasolina por intermediários, medida que pode pressionar o mercado brasileiro de combustíveis. O país era, até junho, o principal fornecedor de diesel ao Brasil, responsável por 57% das importações do produto.

Com a decisão, produtores russos poderão retomar as exportações de diesel a partir de 1º de setembro, mas empresas intermediárias continuarão impedidas de comercializar o combustível até o fim da restrição.

O impacto já é percebido nas importações brasileiras. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), a participação da Rússia nas compras de diesel do Brasil, que chegou a 90% em maio, deve cair para menos de 15% neste mês. O espaço vem sendo ocupado principalmente pelos Estados Unidos, que deverão responder por mais de 80% das importações.

A restrição foi adotada pelo governo russo em meio aos impactos da guerra com a Ucrânia. Ataques contra refinarias reduziram a oferta interna de combustíveis, levando Moscou a priorizar o abastecimento do mercado doméstico.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o diesel russo importado no primeiro semestre custou, em média, R$ 0,15 por quilo a menos que o produto norte-americano.

Como o Brasil depende de importações para suprir cerca de 30% da demanda nacional de diesel, especialistas avaliam que a redução da oferta russa poderá manter os preços do combustível sob pressão, com reflexos sobre o transporte de cargas, a atividade agrícola e diversos setores da economia.

Fonte: Folha de S.Paulo, Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)

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