Nanopartículas desenvolvidas pela USP podem revolucionar tratamento da psoríase e vitiligo

Tecnologia usa moléculas de RNA para agir diretamente nos genes ligados à inflamação, com potencial para tratamentos mais eficazes e menos invasivos.

Foto: Reprodução.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo desenvolveram uma tecnologia inovadora com nanopartículas que pode revolucionar o tratamento da psoríase e do vitiligo. A técnica utiliza moléculas de RNA para atuar diretamente nos genes responsáveis pela inflamação, tornando os tratamentos mais precisos e menos invasivos.

Pesquisa conduzida por cientistas da USP em Ribeirão Preto está abrindo novas perspectivas para o tratamento de doenças de pele como psoríase e vitiligo. O estudo, desenvolvido pelo laboratório NanoGeneSkin, criou nanopartículas capazes de transportar moléculas terapêuticas de RNA diretamente às células da pele.

A estratégia utiliza o RNA de interferência (siRNA), pequenas moléculas que bloqueiam a produção de proteínas responsáveis pelo processo inflamatório. Diferentemente de muitos medicamentos atuais, que atuam em todo o organismo, a nova tecnologia busca atingir apenas os genes relacionados à doença, aumentando a eficácia e reduzindo possíveis efeitos colaterais.

Um dos principais desafios era garantir que o RNA chegasse intacto às células da pele, já que essas moléculas são facilmente degradadas pelo organismo. Para superar essa barreira, os pesquisadores desenvolveram nanopartículas formadas por lipídios, que protegem o material genético e facilitam sua liberação nas células-alvo.

Os estudos já apresentaram resultados positivos em experimentos laboratoriais e em modelos animais com lesões semelhantes às observadas na psoríase e no vitiligo. Além de transportar o RNA, as nanopartículas também conseguiram levar medicamentos anti-inflamatórios convencionais, ampliando as possibilidades terapêuticas.

Embora ainda sejam necessários novos estudos e todas as etapas de avaliação regulatória antes da aplicação em pacientes, especialistas consideram a pesquisa promissora. A plataforma também está sendo investigada para acelerar a cicatrização de feridas crônicas e poderá, no futuro, contribuir para o desenvolvimento de vacinas baseadas em mRNA, incluindo imunizantes experimentais contra o câncer.

Os resultados da pesquisa foram apresentados durante a Semana da Fapesp, realizada em Londres.

Fonte: Universidade de São Paulo (USP) / Fapesp

Entre no nosso canal de WhatsApp e receba notícias em tempo real, Clique aqui

Inscreva-se em nosso canal no Youtube, Clique aqui

Comentários



    Nenhum comentário, seja o primeiro a enviar.



Comentar