Teste rápido identifica superbactérias em seis horas e pode mudar rotina das UTIs

Método criado por pesquisadores da USP reduz tempo de diagnóstico e pode diminuir custos com isolamento hospitalar.

Foto: Shutterstock.

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um teste rápido e de baixo custo capaz de identificar superbactérias em pacientes de UTI em apenas seis horas. A tecnologia, semelhante aos testes de covid-19 e gravidez, pode reduzir o tempo de diagnóstico em até 60 horas e diminuir custos hospitalares.

A estratégia foi validada por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e do Hospital das Clínicas da FMUSP (HCFMUSP). O teste imunocromatográfico (ICT) detecta Enterobactérias Resistentes a Carbapenêmicos (ERC), consideradas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das principais ameaças à saúde pública.

Atualmente, o diagnóstico convencional dessas bactérias pode levar de dois a três dias, período em que pacientes permanecem em isolamento preventivo. Com o novo método, a amostra coletada por swab retal é incubada por seis horas em um caldo nutritivo e, em seguida, aplicada diretamente no teste rápido.

Baixo custo e aplicação ampla

Segundo os pesquisadores, a tecnologia oferece rapidez semelhante à de testes moleculares caros, como o PCR, mas sem necessidade de equipamentos complexos. Isso pode facilitar a adoção em hospitais públicos e laboratórios com poucos recursos.

Além de acelerar o diagnóstico, o teste pode reduzir o uso desnecessário de EPIs, aliviar a sobrecarga das equipes de enfermagem e evitar isolamentos preventivos prolongados.

Os estudos foram publicados nos periódicos científicos Journal of Hospital Infection, Microbiology Spectrum e Brazilian Journal of Infectious Diseases.

Fonte: FMUSP / HCFMUSP

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