Unicef alerta que 20,8 milhões de crianças seguem sem vacinação completa no mundo

Relatório aponta avanço na cobertura vacinal, mas milhões de bebês ainda permanecem desprotegidos contra doenças preveníveis.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.

Apesar da recuperação gradual da cobertura vacinal infantil após a pandemia, cerca de 20,8 milhões de crianças permaneceram sem imunização adequada em 2025. O alerta consta em levantamento divulgado nesta quarta-feira (15) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo o estudo, 13,5 milhões de bebês não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida, enquanto outros 7,3 milhões não completaram o esquema básico de imunização com as três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP).

Embora 116 milhões de crianças tenham recebido ao menos uma dose da DTP em 2025 — um aumento de 750 mil em relação ao ano anterior — o Unicef alerta que o número de crianças "zero-dose" continua elevado, favorecendo o risco de surtos de doenças como o sarampo. A cobertura da segunda dose da vacina contra a doença permanece em 77%, abaixo dos 95% considerados necessários para proteção coletiva.

O relatório, baseado em informações de 195 países, mostra que 100 nações mantiveram cobertura vacinal superior a 90% desde 2019. No entanto, 65 países permaneceram estagnados ou registraram queda, especialmente aqueles afetados por conflitos, deslocamentos populacionais e limitações de recursos.

Na contramão da tendência observada em parte do mundo, o Brasil ampliou a cobertura vacinal e reduziu o número de crianças sem nenhuma dose de vacina, atualmente estimado em cerca de 50 mil. Entre os principais imunizantes, apenas a cobertura da terceira dose da vacina tríplice bacteriana (DTP-3) segue abaixo do ideal, com índice próximo de 86%.

O Unicef destaca que a manutenção dos programas de imunização depende de investimentos contínuos, fortalecimento dos sistemas de saúde e ações para combater a hesitação vacinal, garantindo que mais crianças tenham acesso às vacinas e fiquem protegidas contra doenças evitáveis.

Fontes: Unicef, Organização Mundial da Saúde (OMS) e Agência Brasil

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