Mesmo após mais de duas décadas da criação das leis que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena, a educação antirracista ainda enfrenta dificuldades para se consolidar nas escolas do país. Pesquisa divulgada nesta terça-feira (26) revela que aproximadamente 50% dos estudantes afirmam não perceber discussões sobre desigualdade racial durante as aulas.
Segundo o estudo “Desigualdade racial na Educação Básica: a percepção de estudantes e professores a partir do Saeb 2023”, desenvolvido por instituições de pesquisa e educação, a aplicação das políticas educacionais ocorre de forma desigual entre as redes pública e privada. O levantamento também mostra diferença entre a percepção dos professores e dos alunos sobre a frequência com que o tema é tratado em sala.
Enquanto a maioria dos docentes afirma abordar questões raciais frequentemente, menos da metade dos estudantes reconhece essas discussões como parte efetiva do ambiente escolar. Especialistas apontam que a ausência de fiscalização, formação continuada de educadores e materiais pedagógicos adequados ainda limita o avanço da educação para relações étnico-raciais.
A pesquisa também destaca que o debate costuma aparecer de forma pontual, especialmente em datas comemorativas, sem integração contínua ao currículo escolar. Para pesquisadores, o fortalecimento da política educacional depende de monitoramento permanente, ampliação da diversidade no corpo docente e maior diálogo entre escola e famílias.
Os pesquisadores defendem que a educação antirracista deve ser tratada como formação cidadã para todos os estudantes, independentemente de raça ou origem. O estudo recomenda investimentos em formação de professores, fiscalização das leis educacionais e criação de espaços permanentes de debate para ampliar o reconhecimento da diversidade na construção da sociedade brasileira.
Fonte: Agência Brasil
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