Pesquisas recentes apontam que algumas vacinas amplamente aplicadas na população adulta podem estar associadas à redução do risco de demência, especialmente entre idosos. Além de proteger contra doenças infecciosas, imunizações como as contra gripe, herpes zóster, Tdap (tétano, difteria e coqueluche) e VSR (vírus sincicial respiratório) demonstraram benefícios adicionais relacionados à preservação da função cognitiva e à prevenção do Alzheimer.
Embora os estudos sejam correlacionais — e ainda não comprovem relação causal —, os resultados reforçam a importância da vacinação de rotina na promoção da saúde cerebral e no envelhecimento saudável.
Vacina contra a gripe: benefícios além da proteção respiratória
A vacinação anual contra a gripe pode reduzir o risco de Alzheimer e outros tipos de demência. Um estudo com adultos acima de 65 anos mostrou que aqueles que se vacinaram apresentaram até 40% menos probabilidade de desenvolver Alzheimer nos quatro anos seguintes. Outra pesquisa de 2024 observou redução de 17% no risco geral de demência entre vacinados. Os cientistas acreditam que prevenir infecções respiratórias graves ajuda a evitar inflamações cerebrais que aceleram o declínio cognitivo.
Vacina contra herpes zóster: evidência sólida na proteção do cérebro
A vacina contra o herpes zóster — que previne a reativação do vírus varicela-zóster — tem apresentado resultados consistentes em reduzir o risco de demência. Estudos de longo prazo com grandes populações demonstraram uma redução de cerca de 20% no risco entre vacinados. Além de evitar a dor e complicações da doença, a imunização pode proteger contra efeitos neurológicos decorrentes da reativação viral, contribuindo para manter a função cerebral em adultos mais velhos.
Vacinas Tdap e VSR: proteção complementar
As vacinas contra Tdap e VSR também apresentaram associações positivas com a preservação cognitiva. Embora as evidências sejam iniciais, os resultados sugerem que a prevenção de infecções respiratórias graves pode diminuir a ocorrência de inflamações cerebrais ligadas ao declínio cognitivo. Especialistas destacam que a combinação dessas imunizações pode oferecer proteção ampliada para o cérebro, especialmente em idosos e grupos de risco.
Mecanismos possíveis: menos inflamação e estímulo imunológico
Pesquisadores levantam duas principais hipóteses para explicar as descobertas:
- Prevenção de infecções graves — que evita inflamações sistêmicas capazes de afetar o cérebro;
- Efeito protetor da resposta imunológica — a vacinação poderia treinar o sistema imunológico, reduzindo processos degenerativos.
Esses mecanismos podem atuar em conjunto, reforçando a ideia de que manter a vacinação em dia traz benefícios que vão além da imunidade contra doenças infecciosas.
Fontes: National Institute on Aging (EUA) / Alzheimer’s Association / revistas científicas The Lancet / correio*
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