Um tema sensível, urgente e que precisa ser enfrentado com coragem: o abuso contra crianças e adolescentes. Durante o mês de conscientização conhecido como Maio Laranja, a advogada Denise Sales trouxe um alerta importante — o silêncio ainda é um dos maiores obstáculos no combate a esse tipo de crime.
Segundo a especialista, a campanha tem como principal objetivo prevenir, conscientizar e incentivar a denúncia. “É um assunto desconfortável, mas necessário. Só através do diálogo conseguimos mudanças reais”, destacou.
Denise explicou que o abuso não se limita apenas à violência física ou sexual. Ele pode se manifestar de diversas formas, incluindo o abuso psicológico, que muitas vezes passa despercebido, mas deixa marcas profundas. A legislação brasileira evoluiu ao longo dos anos para ampliar a proteção às vítimas, incluindo o conceito de vulnerabilidade e endurecendo as punições.
Outro ponto que chama atenção é o perfil dos agressores. Ao contrário do que muitos imaginam, não há um padrão definido. “Não tem rosto. Pode ser alguém da família, um amigo ou alguém do convívio próximo. Isso torna tudo ainda mais delicado”, ressaltou.
A advogada também destacou que o aumento dos casos registrados não significa necessariamente mais crimes, mas sim mais denúncias — um avanço importante. “Hoje as pessoas têm mais informação e sabem onde buscar ajuda”, afirmou.
Entre os sinais de alerta, estão mudanças bruscas de comportamento, medo de determinadas pessoas ou lugares, isolamento e alterações emocionais. Pais, professores e toda a sociedade precisam estar atentos. “Às vezes, a criança não fala. É o comportamento que denuncia”, explicou.
A entrevista também abordou a importância da denúncia, que pode ser feita de forma anônima por canais oficiais, além do papel fundamental do Conselho Tutelar, escolas e assistência social. Quando confirmado, o agressor pode ser afastado imediatamente do convívio da vítima.
Denise reforçou ainda que o impacto do abuso pode acompanhar a vítima por toda a vida, exigindo acompanhamento psicológico para reconstrução emocional.
O Maio Laranja tem como marco o dia 18 de maio, data que relembra um crime brutal ocorrido no Brasil e que impulsionou a criação de políticas públicas de proteção. Um episódio trágico que reforça a necessidade de vigilância constante.
Ao final, a especialista deixou uma mensagem direta: “Precisamos sair da nossa bolha. Cuidar dos nossos, mas também olhar para o outro. A proteção das crianças é responsabilidade de todos nós.”
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