A ausência paterna pode deixar marcas profundas na vida de uma criança, enquanto a presença ativa do pai pode contribuir para a construção de vínculos, valores e segurança emocional. Esse foi o ponto central da entrevista, nesta quinta (06), com o terapeuta Eduardo Afonso, que esteve no Fala Você Notícias acompanhado do filho, João Afonso, em uma conversa especial sobre paternidade, presença e o impacto da relação entre pais e filhos.
Durante o bate-papo, Eduardo fez uma distinção importante entre ser pai e exercer a paternidade. Segundo ele, ser pai está relacionado ao vínculo biológico, enquanto a paternidade envolve presença, responsabilidade, tempo de qualidade, convivência e participação na vida dos filhos.
“Paternidade é presença. Paternidade é tempo de qualidade, paternidade é responsabilidade.”
Para Eduardo, a presença paterna também está relacionada ao exemplo que o filho observa diariamente. Mais do que ensinar por meio de palavras, o pai transmite valores por meio das próprias atitudes e comportamentos.
Ausência paterna e suas marcas
Ao falar sobre os possíveis impactos da ausência do pai, Eduardo destacou a falta de referências e de uma figura masculina presente na formação da criança. Para ele, essa ausência pode deixar vazios que, posteriormente, serão preenchidos por outras referências — que podem ser positivas ou negativas.
O terapeuta também ressaltou que uma criança que cresce sem a presença paterna pode superar essas feridas e romper ciclos familiares. Para explicar esse processo, apresentou a ideia do “herói e vilão de si mesmo”: diante de uma experiência negativa vivida pelo pai, um filho pode reproduzir o comportamento ou decidir fazer diferente e interromper aquele padrão.
“A partir de mim, não”
Um dos pontos mais fortes da entrevista foi a reflexão sobre homens que cresceram sem uma referência paterna e, ainda assim, podem escolher construir uma história diferente.
Eduardo defendeu que é possível romper padrões familiares e evitar que comportamentos negativos sejam transmitidos para as próximas gerações.
A mudança, segundo ele, precisa começar pelo próprio adulto: antes de exigir que o filho seja melhor, é necessário buscar uma transformação pessoal para oferecer uma referência diferente.
Tempo de qualidade: presença que não pode ser substituída
Outro alerta apresentado durante a entrevista foi sobre pais que trabalham excessivamente com o objetivo de proporcionar conforto financeiro aos filhos, mas acabam deixando de participar de momentos importantes da infância.
Eduardo defendeu equilíbrio entre as diferentes áreas da vida e destacou que dinheiro não substitui presença e momentos compartilhados.
Ele contou ainda que faz questão de participar dos eventos e atividades de João, justamente por entender que determinados momentos não podem ser recuperados depois.
A relação entre os dois ficou ainda mais evidente durante a entrevista. João contou que gosta de jogar bola e ir à piscina com o pai e apontou a educação como um dos principais ensinamentos que pretende levar para a vida.
João Afonso emociona ao falar do pai
A participação de João deu um tom ainda mais afetivo à conversa. Ao ser questionado sobre o que mudaria no pai, a resposta foi direta:
“Nada.”
Em outro momento, João agradeceu ao pai, enquanto Eduardo revelou que o filho também foi responsável por importantes transformações em sua própria vida.
Segundo o terapeuta, João o ajudou a rever comportamentos, controlar reações e buscar uma versão melhor de si mesmo.
A relação entre pai e filho mostrou, durante a entrevista, que a paternidade não é uma via de mão única: enquanto o pai educa e orienta, o filho também pode provocar mudanças profundas no adulto.
Tecnologia e a “terceirização afetiva”
Eduardo também chamou atenção para a relação entre pais, filhos, celulares, tablets, computadores e televisão.
Para ele, quando os recursos tecnológicos passam a ocupar o espaço que deveria ser destinado à convivência familiar, ocorre uma espécie de “terceirização afetiva”.
A proposta apresentada pelo terapeuta é que os pais busquem oferecer aos filhos experiências reais de convivência, atividades, esporte, diálogo e participação, em vez de utilizar a tecnologia como substituta da presença.
Perdão e reconstrução da relação entre pais e filhos
A entrevista também abordou um tema delicado: é possível reconstruir uma relação entre pais e filhos depois de erros e afastamentos?
Para Eduardo, sim. Ele defendeu que nunca é tarde para tentar reconstruir vínculos e que o perdão pode ser fundamental nesse processo.
Ao mesmo tempo, ressaltou a importância de assumir responsabilidades e romper ciclos, em vez de permanecer preso às dores do passado.
Sua mensagem para crianças e adolescentes que enfrentam a ausência paterna foi direta: não se lamentar, buscar o perdão e romper o ciclo, construindo uma história diferente para as próximas gerações.
Uma conversa sobre legado
No encerramento, Eduardo definiu João como uma espécie de direcionamento e revelou que o filho foi motivo para que ele se reerguesse em diferentes momentos da vida.
A declaração emocionou e sintetizou o propósito da conversa: a paternidade não se resume ao nascimento de um filho, mas ao legado que se constrói diariamente por meio da presença, do exemplo, do amor e das escolhas.
E fica a grande pergunta levantada durante a entrevista: como seria a nossa sociedade se nenhuma criança precisasse crescer sentindo a falta de um pai presente?
A entrevista completa com Eduardo Afonso e João Afonso está disponível no YouTube Neide Lu Fala Você Notícias. Prepare-se para uma conversa emocionante, com reflexões que podem fazer pais, filhos e famílias inteiras repensarem a forma como estão construindo seus vínculos.
Assista à entrevista completa e descubra por que, para Eduardo Afonso, talvez o maior legado que um pai possa deixar para um filho não esteja no que ele compra, mas no que ele vive e ensina todos os dias.
Comentários