Escutar verdadeiramente vai muito além de ouvir palavras. É estar presente, acolher, observar e compreender o que o outro está tentando comunicar. Esse foi um dos principais pontos abordados por Eduardo Afonso, terapeuta especialista em neuropsicanálise clínica, neurociência, linguagem, comportamento infantil e teoria ocupacional da saúde mental, em entrevista ao Lu Fala Você Notícias, nesta quarta (23).
Com o tema “Escutar é estar presente”, a conversa também trouxe reflexões relacionadas ao Setembro Amarelo, campanha de conscientização e prevenção do suicídio, destacando a importância da atenção aos sinais emocionais e da construção de relações baseadas no diálogo e no acolhimento.
Escutar não é apenas esperar a sua vez de falar
Durante a entrevista, Eduardo Afonso chamou atenção para uma situação comum nas relações: muitas pessoas aparentam estar ouvindo, mas, na verdade, estão apenas esperando o momento de responder.
Segundo o terapeuta, a escuta verdadeira exige presença e silêncio. Em determinadas situações, a pessoa que procura alguém para conversar não está necessariamente buscando uma solução imediata, mas alguém que esteja disposto a ouvi-la.
A conversa também abordou o que Eduardo classificou como “competição de tragédias” e “competição de ego”: situações em que, em vez de acolher o relato do outro, a pessoa tenta apresentar um problema maior ou uma conquista superior.
Para o terapeuta, substituir a competição pela pergunta “Como posso ajudar?” pode abrir espaço para uma comunicação mais saudável.
Comunicação também depende da forma de falar
Outro ponto destacado na entrevista foi a relação entre escuta e comunicação. Para Eduardo Afonso, não é possível esperar que o outro compreenda uma mensagem quando ela é transmitida de maneira agressiva ou sem espaço para diálogo.
Ele defendeu uma comunicação que envolva o outro na construção das decisões. Em vez de simplesmente apresentar uma solução pronta, perguntar o que a outra pessoa pensa pode permitir novas perspectivas e contribuir para relações mais colaborativas.
A entrevista também discutiu a tendência de as pessoas interpretarem situações antes de perguntar o que realmente aconteceu. Nesse contexto, o diálogo aparece como uma ferramenta para reduzir conflitos e evitar conclusões baseadas apenas em suposições.
Redes sociais e a dificuldade de estar presente
O uso constante de celulares e redes sociais também entrou na pauta.
Eduardo Afonso falou sobre como a velocidade das informações pode interferir na atenção e na qualidade das relações. Para ele, a comparação constante com outras pessoas e com aquilo que é apresentado nas redes sociais pode contribuir para uma percepção distorcida da própria realidade.
A reflexão proposta pelo terapeuta foi a necessidade de valorizar o presente e observar aquilo que já existe na própria vida, em vez de concentrar toda a atenção no que está faltando.
Comportamento infantil exige contexto e cuidado
Especialista em comportamento infantil, Eduardo também respondeu a perguntas sobre crianças que apresentam comportamentos interpretados pelos adultos como “birra” ou “desobediência”.
Ele ressaltou que não é possível interpretar um comportamento infantil isoladamente. É necessário considerar o ambiente familiar, as relações afetivas, a escola, os colegas e outros aspectos do desenvolvimento da criança.
O terapeuta destacou ainda a importância de avaliações realizadas com critério por profissionais habilitados e alertou contra a busca por rótulos ou diagnósticos simplificados.
A importância da escuta na escola
A participação dos professores na percepção das mudanças comportamentais dos alunos também foi abordada.
Eduardo Afonso destacou que uma observação mais atenta pode contribuir para identificar mudanças no comportamento e favorecer o desenvolvimento da autoestima e do desempenho escolar.
Ele compartilhou ainda uma experiência pessoal da época em que atuava como professor, relatando que uma situação vivenciada com um aluno fez com que passasse a observar com ainda mais atenção os aspectos emocionais dos estudantes.
Oito minutos para ouvir alguém
No encerramento, Eduardo Afonso apresentou uma reflexão sobre a importância de reservar alguns minutos do dia para ouvir verdadeiramente outra pessoa.
A ideia central foi simples: estar disponível para alguém pode fazer diferença em um momento de sofrimento emocional.
A entrevista também terminou com uma história atribuída a Thomas Edison, utilizada por Eduardo para falar sobre a importância da maneira como uma mensagem é transmitida e sobre o impacto que palavras de incentivo podem ter na vida de uma criança.
A conversa completa com Eduardo Afonso está disponível no canal Neide Lu Fala Você Notícias, no YouTube.
Assista à entrevista completa e acompanhe a reflexão sobre escuta, presença, comunicação, comportamento infantil e saúde emocional.
Inscreva-se no canal, compartilhe a entrevista e participe dessa conversa. Afinal, escutar também é uma forma de estar presente na vida de alguém.
Comentários