Procuradoria da Mulher nas Escolas amplia combate à violência contra a mulher em Guanambi

Projeto da Câmara de Vereadores, em parceria com o 17º Batalhão e a Ronda Maria da Penha, levará palestras e rodas de conversa para estudantes da Educação de Jovens e Adultos; entrevista também destacou a necessidade de uma DEAM e de uma casa de acolhimento no município.

Neide Lu, Maria Silvia Lilia, Cap. Jacimara Ornelas, Míria Paes.

A Câmara de Vereadores de Guanambi, por meio da Procuradoria da Mulher, está ampliando as ações de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher no município. Durante entrevista ao Fala Você Notícias, nesta terça (04), a vereadora Míria Paes, procuradora da Mulher da Câmara, a vereadora Lilia, vice-presidente do Legislativo, e a capitã Jacimara Ornelas, coordenadora da Ronda Maria da Penha, detalharam as próximas ações do projeto “Procuradoria da Mulher nas Escolas”.

A iniciativa conta com a parceria do 17º Batalhão da Polícia Militar, da Ronda Maria da Penha e da Secretaria Municipal de Educação. Nesta nova etapa, o projeto será direcionado aos estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede municipal.

Segundo Míria Paes, a proposta é promover palestras e rodas de conversa sobre prevenção e enfrentamento da violência contra a mulher, levando informação para dentro das escolas e fortalecendo a rede de proteção.

Projeto já revelou casos de violência

A Procuradoria da Mulher já realizou uma primeira etapa do projeto em escolas de Guanambi e também em localidades como Morrinhos, Mutans e Ceraíma.

Durante essas ações, segundo os relatos apresentados na entrevista, foram identificadas situações em que crianças e adolescentes não reconheciam que estavam vivenciando algum tipo de violência. Em alguns casos, estudantes chegaram a se emocionar durante as palestras e precisaram ser encaminhados para atendimento e acompanhamento pela rede de proteção.

Para a capitã Jacimara Ornelas, um dos principais objetivos das ações é justamente ensinar a identificar os diferentes tipos de violência.

Além da violência física, a orientação envolve situações de violência psicológica, comportamentos abusivos e outras condutas que muitas vezes acabam sendo naturalizadas dentro dos relacionamentos.

Informação como ferramenta de proteção

Durante a entrevista, a capitã Jacimara destacou a importância de mostrar aos estudantes o que caracteriza uma violência, apresentar a Lei Maria da Penha e explicar quais caminhos podem ser buscados por quem está vivendo uma situação de violência.

A proposta também contempla a divulgação dos canais de denúncia e dos serviços disponíveis no município.

A Câmara informou que pretende disponibilizar uma caderneta com os canais de denúncia e contatos da rede de proteção, facilitando o acesso das mulheres às informações.

Guanambi tem 1.120 medidas protetivas ativas, segundo entrevista

Outro dado apresentado durante a conversa chamou atenção. Conforme informado pela capitã Jacimara, Guanambi possuía 1.120 medidas protetivas ativas até o final de julho.

O número foi apresentado durante a entrevista como um indicativo da dimensão da violência contra a mulher no município.

As entrevistadas também ressaltaram que o aumento das denúncias pode representar maior encorajamento das mulheres para procurar ajuda e romper o silêncio.

Vereadoras cobram implantação de uma DEAM em Guanambi

A entrevista também trouxe à tona uma antiga reivindicação: a implantação de uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) em Guanambi. 

Míria Paes relatou que esteve na Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia para tratar da questão e afirmou que, segundo as informações recebidas, fatores como questões políticas e disponibilidade de efetivo estariam entre os obstáculos apontados para a implantação.

A vereadora destacou que Guanambi possui uma demanda significativa relacionada à violência doméstica e defendeu que o município precisa avançar na estrutura especializada de atendimento.

Casa de acolhimento também é defendida

Outro ponto abordado pelas participantes foi a necessidade de uma casa de acolhimento para mulheres vítimas de violência.

A vereadora Lilia destacou que a estrutura poderia oferecer um espaço seguro para mulheres que precisam deixar o ambiente onde vivem com o agressor, especialmente quando estão acompanhadas dos filhos.

As entrevistadas defenderam a união entre poder público, instituições de segurança e sociedade civil para ampliar as políticas públicas de proteção às mulheres.

Cap. Jacimara Ornelas, Míria Paes. Neide Lu, e Maria Silvia Lilia.

Capacitação da rede de proteção está prevista

Míria Paes também informou que uma capacitação da rede de proteção está prevista para setembro, em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado.

A proposta, segundo ela, é reunir diferentes profissionais e instituições que atuam no atendimento às mulheres, incluindo a Procuradoria da Mulher, Ronda Maria da Penha, CRAM, NEAM, 17º Batalhão, diretoras de escolas e profissionais da área da saúde.

A intenção é fortalecer a qualificação dos agentes que estão na linha de frente do atendimento e do acolhimento.

“Quanto mais a gente conhece, mais poder a gente tem”

Para Jacimara Ornelas, levar informação às escolas é uma forma de fortalecer as mulheres e ajudar vítimas a reconhecer situações de violência.

A capitã reforçou que muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos porque não identificam determinados comportamentos como violência. Por isso, informação, orientação e conhecimento sobre os canais de ajuda são considerados fundamentais para a prevenção.

Rede de proteção precisa ser fortalecida

As participantes também ressaltaram a importância da atuação conjunta entre Câmara de Vereadores, Polícia Militar, Ronda Maria da Penha, serviços especializados, escolas, saúde, assistência social e sociedade civil.

A mensagem deixada durante a entrevista foi clara: combater a violência contra a mulher exige informação, prevenção, acolhimento, estrutura e participação de toda a sociedade.

Onde buscar atendimento em Guanambi

Durante a entrevista, foram citados contatos de serviços da rede de proteção:

NEAM – Núcleo Especializado de Atendimento à Mulher: (71)9.9919-7451, atendimento em horário comeercial, de segunda a sexta-feira.

O Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) de Guanambi pode ser contatado pelo telefone (77) 99818-5120 ou (77) 99962-2256.  Rua Floriano Peixoto, nº 513, bairro Vomitamel, em Guanambi (BA), oferecendo suporte social, psicológico e jurídico.

Boletins de ocorrências policiais podem ser feitas on-line no link: https://delegaciavirtual.sinesp.gov.br/portal/comunicacaofato/ba/orientacoes

Disque 190 - Polícia Militar

Disque 180 - para violência doméstica.


Agosto Lilás reforça a importância do debate

A entrevista ocorre dentro das ações do Agosto Lilás, período dedicado à conscientização, prevenção e enfrentamento da violência contra a mulher.

Em Guanambi, a programação anunciada envolve diferentes instituições e busca ampliar o debate, levar informação à população e fortalecer os mecanismos de proteção.

A luta contra a violência começa quando o silêncio termina — mas o que acontece quando a mulher finalmente decide pedir ajuda? 

Assista à entrevista completa no YouTube Neide Lu Fala Você Notícias e confira tudo o que foi revelado sobre a violência contra a mulher, as medidas protetivas, a DEAM, a casa de acolhimento e os novos projetos para Guanambi.

Comentários



    Nenhum comentário, seja o primeiro a enviar.



Comentar