Agosto Dourado: Banco de Leite de Guanambi reforça importância da amamentação e alerta para desafios enfrentados pelas mães

Especialista explica os benefícios do leite materno, a importância da pega correta, o papel do colostro e como a falta de apoio pode contribuir para o desmame precoce.

Neide Lu, jornalista, e a enfermeira coordenadora do BAM do HGG Eliane Soares.

O Agosto Dourado reforça a importância do aleitamento materno e amplia o debate sobre os benefícios da amamentação para mães e bebês. Em entrevista ao Fala Você Notícias, da 96 FM, nesta quinta (13), a enfermeira Eliane Soares, coordenadora do Banco de Leite Materno do Hospital Geral de Guanambi, destacou a importância da informação, do apoio às mães e da orientação profissional durante os primeiros meses de vida da criança.

Segundo Eliane, embora o mês de agosto seja dedicado à conscientização sobre o aleitamento materno, o trabalho de orientação precisa acontecer durante todo o ano. A programação do Agosto Dourado intensifica ações como palestras, visitas às unidades de saúde e atividades de orientação às gestantes e puérperas.

Leite materno é considerado alimento completo para o bebê

Durante a entrevista, Eliane explicou que o leite materno oferece nutrientes fundamentais para o desenvolvimento do recém-nascido, contribuindo para o desenvolvimento neurológico, da visão, do sistema intestinal e para o fortalecimento da imunidade.

Os benefícios também alcançam a mãe. A amamentação auxilia na recuperação após o parto, pode contribuir para a perda de peso e está associada à redução do risco de câncer de mama, além de favorecer o fortalecimento do vínculo entre mãe e filho.

A recomendação destacada pela profissional é de aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida, sem necessidade de oferecer água, chás ou outros alimentos. Depois desse período, a criança inicia a introdução alimentar, mas pode continuar sendo amamentada.

Colostro: a primeira “vacina” do bebê

Um dos pontos abordados na entrevista foi a importância do colostro, o primeiro leite produzido após o nascimento.

Eliane explicou que existe um mito de que o colostro não seria suficiente para alimentar o bebê. Segundo ela, essa primeira produção de leite é extremamente importante porque contém componentes que ajudam na formação e fortalecimento do sistema imunológico do recém-nascido.

Por isso, o colostro é frequentemente chamado de “primeira vacina” do bebê.

Pega correta pode evitar dor e desmame precoce

Outro desafio enfrentado pelas mães é a dificuldade durante os primeiros dias de amamentação. Dor, peito cheio, fissuras mamárias, cansaço e insegurança podem tornar esse período especialmente delicado.

Eliane destacou que aprender a pega correta é fundamental para tornar a amamentação mais confortável e eficiente. Uma pega inadequada pode provocar fissuras e dor, dificultando a continuidade da amamentação e favorecendo o desmame precoce.

A orientação profissional durante a gestação e após o nascimento pode ajudar a mãe a enfrentar esse período com mais segurança.



Eliane Soares, enfermeira coordenadora do BAM do HGG, e Neide Lu, jornalista.

“Tenho pouco leite”: como saber se a produção realmente é baixa?

A sensação de que o leite materno é insuficiente também é uma das principais preocupações das mães.

Na entrevista, Eliane explicou que a frequência das mamadas tem papel importante na produção do leite. O bebê possui o reflexo de sucção e, ao mamar, estimula o organismo da mãe a produzir mais leite.

Segundo a profissional, substituir frequentemente o peito por chupeta pode reduzir esse estímulo. Ela também ressaltou a importância de a mãe estar bem alimentada e hidratada para favorecer a produção de leite.

Outro ponto destacado foi que o choro do recém-nascido nem sempre significa fome. O bebê passa por um processo de adaptação ao mundo fora do útero, com novas luzes, sons e sensações, e o colo e o peito também representam segurança e conforto.

Apoio à mãe é fundamental

Para Eliane Soares, amamentar é um processo natural, mas isso não significa que seja simples para todas as mulheres. Os primeiros dias podem ser cansativos e emocionalmente desafiadores, especialmente durante o puerpério.

Por isso, o apoio da família e a orientação dos profissionais de saúde são fundamentais para evitar que dificuldades passageiras levem ao abandono da amamentação.

O Agosto Dourado, portanto, vai muito além de incentivar a mãe a amamentar: é também um período para informar, acolher, orientar e fortalecer uma rede de apoio às mulheres.

Quer entender melhor por que o colostro é tão importante, como funciona a produção do leite, quais erros podem prejudicar a amamentação e o que fazer quando a mãe acredita que tem pouco leite?

Assista à entrevista completa com Eliane Soares no YouTube Neide Lu Fala Você Notícias e descubra informações que podem transformar a experiência da amamentação.

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