No Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil, celebrado em 24 de fevereiro, a advogada Magda David, presidente da Comissão dos Direitos da Mulher da OAB Regional, relembra a trajetória histórica das mulheres brasileiras na política e reforça a necessidade de ampliar a representatividade feminina nos espaços de poder.
94 anos de história, luta e resistência
Há 94 anos, as mulheres brasileiras conquistaram o direito ao voto, oficializado em 1932 com o Código Eleitoral durante o governo de Getúlio Vargas. Mas como destacou Magda David durante a entrevista, esse direito não foi um presente — foi resultado de mobilizações, debates e enfrentamentos iniciados ainda no século XIX.
Entre as pioneiras brasileiras, estão Maria Lacerda de Moura e Bertha Lutz, que organizaram movimentos e grupos de discussão para garantir direitos políticos às mulheres.
A primeira eleitora do Brasil foi Celina Guimarães Viana, no Rio Grande do Norte, em 1928. No mesmo estado, Alzira Soriano tornou-se a primeira prefeita eleita da América Latina.
Direito conquistado, mas representatividade ainda desigual
Apesar dos avanços históricos, Magda alerta: as mulheres são maioria no eleitorado brasileiro — mais de 52% —, mas ainda enfrentam sub-representação nos cargos políticos.
Mesmo com a exigência legal de pelo menos 30% de candidaturas femininas, apenas cerca de 17% das eleitas são mulheres. A advogada também destacou problemas como:
- Candidaturas laranja
- Violência política de gênero
- Dificuldade de acesso a financiamento
- Sobrecarga doméstica
Ela defende que o Brasil avance para além das cotas de candidatura e discuta a reserva de cadeiras nos legislativos para garantir representatividade real.
Democracia se faz com participação
Magda também fez um apelo às novas gerações: “O exercício do voto é muito mais do que apertar uma tecla. É o exercício da própria cidadania.”
Para ela, a transformação começa pela conscientização, informação de qualidade e participação ativa nos espaços de debate.
A OAB Mulher atua promovendo debates, orientação e fortalecimento do protagonismo feminino, incentivando que mais mulheres ocupem espaços de decisão.
Reflexão Final
A conquista do voto feminino foi apenas o começo. A verdadeira igualdade ainda está em construção — e depende da consciência e da ação de cada mulher.
Quer entender por que essa data é tão simbólica e o que ainda precisa mudar na política brasileira? Assista à entrevista completa no YouTube: Neide Lu Fala Você Notícias.
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