O papel do exercício físico na qualidade de vida dos idosos, segundo Gêrlan Neves

A frequência em academias, por exemplo, permite ao idoso ganhar massa muscular, o que proporciona maior liberdade de movimento, permitindo que ele aproveite momentos agradáveis com a família, como brincar com os netos.

Profissional de atividade física Gêrlan Neves.

Gêrlan da Silva Neves, profissional de educação física, abordou no Fala Você Notícias desta segunda (30/09) o tema do envelhecimento e a importância do exercício físico para essa fase da vida. Natural de Cana Brava, no município de Malhada, Gêrlan reside em Guanambi desde 2019 e formou-se pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Atualmente, trabalha na Academia Raphael Zílio, onde começou como estagiário em 2022 e hoje é professor efetivo.

Segundo Gêrlan, o envelhecimento é um processo natural pelo qual todos os seres humanos passarão. Ele cita a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), que descreve o envelhecimento como um processo sequencial, individual, acumulativo, irreversível e não patológico, marcado pela deterioração progressiva de um organismo maduro, o que reduz sua capacidade de lidar com o estresse ambiental e aumenta a probabilidade de mortalidade. Gêrlan ressalta que o envelhecimento pode ocorrer de formas distintas: algumas pessoas envelhecem de maneira saudável, enquanto outras, devido a doenças crônicas, podem enfrentar um processo mais debilitante.

Ele também menciona que a OMS considera idosa a pessoa com idade entre 60 e 65 anos. Entretanto, Gêrlan alerta que algumas doenças relacionadas à velhice, como obesidade, problemas cardíacos, hipertensão e osteoporose, podem surgir antes dos 60 anos. Tais condições impactam diretamente a mobilidade, o bem-estar e a qualidade de vida do idoso.

Com o envelhecimento, além da perda da aptidão física, há um declínio em habilidades como destreza, coordenação, velocidade, flexibilidade, força, resistência e potência. Essas mudanças ocorrem independentemente da prática de atividade física. Quando o idoso perde a mobilidade, sua interação social também diminui, o que pode torná-lo mais solitário e limitar sua participação em ambientes antes frequentados, como festas, praças e até mesmo o local de trabalho.

Gêrlan também destaca a importância de uma abordagem multidisciplinar no cuidado ao idoso. O geriatra, por exemplo, é o profissional indicado para identificar e rastrear doenças e problemas físicos e emocionais. Além dele, o idoso pode ser encaminhado a um fisioterapeuta, psicólogo, terapeuta ocupacional e professor de educação física, compondo assim uma equipe multidisciplinar de cuidados.

De acordo com dados do IBGE de 2022, Gêrlan informou que há mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais no Brasil, representando cerca de 15% da população. A expectativa é que esse número dobre até 2050, com países em desenvolvimento, como o Brasil, liderando esse crescimento.

Ele alerta que, por falta de conhecimento, muitas pessoas idosas procuram diretamente a academia sem antes consultar os profissionais adequados. Isso pode acarretar problemas osteoarticulares e musculares, já que, muitas vezes, o idoso apresenta desequilíbrios, tonturas e fraqueza muscular agravada. Colocar esses indivíduos diretamente em atividades como a esteira, sem a devida preparação, pode resultar em lesões.


Profissional de atividade física Gêrlan Neves, e a apresentadora Neide Lu, jornalista.

Gêrlan ressalta a importância de cautela na prática de exercícios físicos, especialmente no levantamento de peso. Antes de iniciar qualquer atividade, o idoso deve procurar um médico para verificar a presença de problemas como hipertensão ou doenças cardíacas. Após a liberação médica, é essencial contar com um professor qualificado, que entenda os princípios do exercício físico.

Ele ainda destaca que, a partir dos 25 anos, começamos a perder algumas características importantes, como a produção de colágeno e a massa muscular. A diminuição dessas funções na velhice pode tornar o idoso mais frágil, dificultando a realização de tarefas simples. No entanto, a prática regular de exercícios pode retardar esses déficits.

A frequência em academias, por exemplo, permite ao idoso ganhar massa muscular, o que proporciona maior liberdade de movimento, permitindo que ele aproveite momentos agradáveis com a família, como brincar com os netos.

Ao falar sobre força muscular, Gêrlan desmistifica a ideia de que ela está apenas relacionada a levantar objetos pesados. Ele explica que atividades cotidianas, como subir escadas e agachar, exigem força muscular. Essa força também é essencial para garantir uma recuperação mais rápida após quedas e manter o equilíbrio.

Ele também mencionou a importância das Atividades da Vida Diária (AVD) e das Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVD). As AVD incluem autocuidado, mobilidade, alimentação, higiene pessoal, vestir-se e calçar-se. Já as AIVD estão relacionadas à integração social, como ir às compras, gerir dinheiro, utilizar o telefone, cozinhar e usar transportes. Gêrlan alertou que muitos idosos hoje apresentam pouca massa muscular e autonomia, necessitando de cuidadores.

Por fim, Gêrlan abordou o preconceito que muitos idosos têm em relação ao ambiente das academias, associando-o a música alta e à presença de adolescentes, o que pode afastá-los. Para vencer essa barreira, ele sugere introduzir o idoso de forma cuidadosa em atividades físicas, respeitando suas limitações e preferências.

Clique no vídeo e assista ao bate-papo completo com Gêrlan Neves, onde ele fala sobre os benefícios do exercício físico no processo de envelhecimento e dá dicas valiosas para a terceira idade!

Neide Lu, Gêrlan Neves e Romilson Rodrigues.

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