Como evitar e reverter a gordura no fígado: Nutricionista Eliane Barbosa explica causas e tratamentos

Segundo Eliane Barbosa, a esteatose hepática não alcoólica é uma condição de saúde resultante do consumo excessivo de carboidratos simples. Isso ocorre porque os hepatócitos (células do fígado) são infiltrados por gordura.

Neide Lu, jornalista, e Eliane Santos, nutricionista.

A esteatose hepática, popularmente conhecida como "gordura no fígado", é uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura nas células hepáticas. Esse distúrbio pode ser causado por diversos fatores, como obesidade, diabetes tipo 2, consumo excessivo de álcool e até uma dieta rica em gorduras. Embora possa ser assintomática, a esteatose hepática pode evoluir para quadros mais graves, como esteato-hepatite, cirrose hepática ou até câncer de fígado. O diagnóstico precoce e mudanças no estilo de vida, como perda de peso, dieta balanceada e prática regular de exercícios físicos, são fundamentais para o tratamento e controle da doença. A nutricionista e especialista em fitoterapia clínica, Eliane Barbosa, abordou o tema da esteatose hepática não alcoólica durante sua participação no programa Fala Você Notícias desta sexta-feira (06). Ela destacou a importância da prevenção e dos cuidados necessários para evitar o avanço dessa condição, que tem se tornado cada vez mais comum em decorrência de hábitos alimentares inadequados.

Segundo Eliane Barbosa, a esteatose hepática não alcoólica é uma condição de saúde resultante do consumo excessivo de carboidratos simples. Isso ocorre porque os hepatócitos (células do fígado) são infiltrados por gordura. O carboidrato consumido se transforma em glicose, que é convertida em triglicerídeos e armazenada no corpo em forma de gordura. Quando o consumo de carboidratos é excessivo e não há um gasto energético compatível, a gordura se acumula de forma mais expressiva, e quando em excesso, se deposita nas células do fígado.

Os alimentos que devem ser evitados são aqueles com alto índice glicêmico, que se transformam rapidamente em açúcar, como biscoitos, xaropes, chimangos, pão de queijo e beiju. Eliane explica que a goma de tapioca tem um índice glicêmico alto, e quem consome esses alimentos em excesso tem maior risco de desenvolver esteatose hepática.

Ela ressalta que, embora seja normal haver uma pequena quantidade de gordura no fígado, quando essa quantidade atinge 5% ou mais, é necessário tratamento imediato devido às possíveis complicações. A esteatose hepática é classificada em graus, sendo que entre 5% e 10% é considerada leve. Os graus variam de 1 a 3, e quando o paciente atinge o grau 3, há um risco maior de cirrose hepática e hepatite gordurosa. Se não tratado adequadamente, o quadro pode evoluir para câncer de fígado.

Eliane observa que, nos estágios iniciais e moderados, a esteatose hepática é geralmente assintomática, o que a torna uma "doença silenciosa". Muitas vezes, as pessoas só descobrem a condição através de exames de rotina. A partir dos resultados laboratoriais, o médico pode observar alterações e solicitar uma ultrassonografia abdominal para confirmar o diagnóstico. Quando o indivíduo começa a apresentar sintomas como náuseas, desconforto abdominal e inchaço na barriga, isso indica que a doença já está em um estágio mais avançado.


Neide Lu, jornalista, e Eliane Santos, nutricionista.

A nutricionista destaca que a gordura, especialmente a saturada, deve ser evitada, pois a esteatose hepática é uma doença inflamatória. Quem tem esse diagnóstico deve evitar gorduras saturadas para não agravar a inflamação do fígado. Ela também alerta que o consumo excessivo de frutas deve ser moderado, já que a frutose, um açúcar presente nas frutas, pode contribuir para o acúmulo de gordura no fígado quando consumida em excesso.

O tratamento da esteatose hepática envolve mudanças no estilo de vida, começando por ajustes nos hábitos alimentares. É essencial adotar uma alimentação saudável e balanceada, pois, embora as frutas sejam saudáveis, o consumo excessivo pode dificultar o tratamento. A mudança alimentar associada à prática regular de atividade física é crucial. Medicamentos são indicados apenas em fases mais avançadas da doença; até o grau moderado, o tratamento é feito com mudanças no estilo de vida. Eliane adverte que os medicamentos naturais ou populares só devem ser usados sob recomendação médica, pois o fígado é um órgão responsável por metabolizar tudo o que ingerimos, e qualquer substância errada pode piorar sua função em vez de ajudar.

Para aqueles com obesidade ou sobrepeso que foram diagnosticados com esteatose hepática, é contra-indicada a adoção de dietas extremamente restritivas, como a eliminação total de carboidratos ou a redução drástica da ingestão calórica. A perda de peso muito rápida pode sobrecarregar o fígado, que não conseguirá metabolizar a gordura de maneira eficiente, piorando a condição. O mais importante é reduzir o consumo de carboidratos simples e manter uma dieta balanceada para garantir que o corpo esteja bem nutrido e possa metabolizar os nutrientes corretamente.

Eliane enfatiza a importância de consultar um médico para um diagnóstico preciso, mesmo que os exames iniciais sejam feitos por conta própria. Se a pessoa for diagnosticada com grau 1 de esteatose hepática, deve iniciar o tratamento imediatamente, pois é uma condição totalmente reversível com a adoção de hábitos alimentares saudáveis e mudanças no estilo de vida.

Por fim, Eliane esclarece que ter consciência alimentar não significa apenas seguir uma dieta restritiva. Trata-se de balancear a alimentação de forma inteligente, como evitar consumir beiju tanto no café da manhã quanto à tarde ou pão de queijo em diferentes horários do dia. Além disso, é importante estabelecer horários regulares para as refeições e criar uma rotina alimentar. Embora não seja necessário comer a cada três horas, é fundamental manter intervalos adequados entre as refeições e entender que o excesso de qualquer alimento, mesmo saudável, pode ser prejudicial à saúde.

Clique no vídeo e assista ao bate-papo completo para entender todos os detalhes sobre a prevenção e o tratamento da esteatose hepática com a especialista Eliane Barbosa!

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