Coordenadora do IF Baiano destaca importância do Semiárido de Agroecologia e Produção Orgânica

Segundo Felizarda Viana Bebé, o Semiárido de Agroecologia e Produção Orgânica teve início a partir de um projeto aprovado pelo CNPQ, com recursos do MCTI, MDA e CNPQ em 2016. A primeira edição foi realizada em 2017, e atualmente o evento está em sua 8ª edição.

Ramon Pereira, repórter, e Felizarda Bebé, coordenadora de pesquisa do IF Baiano Guanambi.

O Semiárido de Agroecologia e Produção Orgânica é um projeto inovador que busca promover práticas agrícolas sustentáveis e adaptadas às condições do semiárido brasileiro. Criado com apoio de instituições como o CNPQ, MCTI e MDA, o projeto tem como objetivo central incentivar a produção agrícola que respeite o meio ambiente, melhore a qualidade de vida dos agricultores e contribua para a segurança alimentar da região. Felizarda Viana Bebé, coordenadora de pesquisa do IF Baiano Campus de Guanambi, doutora em Ciência do Solo e coordenadora geral do Semiárido de Agroecologia e Produção Orgânica, compartilha a trajetória e relevância do projeto no Fala Você Notícias desta quinta-feira (22).

Histórico do projeto e crescimento do evento

Segundo Felizarda Viana Bebé, o Semiárido de Agroecologia e Produção Orgânica teve início a partir de um projeto aprovado pelo CNPQ, com recursos do MCTI, MDA e CNPQ em 2016. A primeira edição foi realizada em 2017, e atualmente o evento está em sua 8ª edição. O evento vem crescendo continuamente, atraindo não apenas pessoas do território Sertão Produtivo, mas também de outras regiões, como Bom Jesus da Lapa, Salvador, Matina, além de participantes de outros estados e, ocasionalmente, de fora da Bahia.

Desafios e sustentabilidade na agricultura

Felizarda Bebé enfatiza que, apesar de estarmos em um território predominantemente agrícola, há diversos desafios. Muitos agricultores relataram que, devido aos baixos preços, está sendo mais vantajoso deixar o tomate no campo ou destiná-lo aos animais do que levá-lo à feira. Com o custo de produção em torno de R$ 22,00 por caixa, sem contar o transporte e a mão de obra, a insustentabilidade do sistema agrícola torna-se evidente. Durante o evento, bioinsumos e biofertilizantes são produzidos e distribuídos aos participantes.

Promoção da agricultura sustentável

O evento tem como objetivo promover a agricultura sustentável. Felizarda ressalta que a Agenda 2030 da ONU estipula que os sistemas agrícolas devem se tornar sustentáveis para enfrentar problemas como a mudança climática. A agroecologia e a produção orgânica visam a trabalhar o ambiente de forma integrada, permitindo que o agricultor continue no campo, produzindo em quantidade e qualidade.

Atrações e demonstrações práticas

No evento, que ocorrerá no dia 30 de agosto, serão montados diversos estandes, incluindo aqueles que exibem plantas indicadoras, como a beldroega, que sinaliza solo fértil, e o picão preto, que indica solo com matéria orgânica e deficiência de micronutrientes. Além disso, haverá estandes com plantas medicinais e a distribuição de biofertilizantes, sementes crioulas e sementes de adubos verdes, que melhoram a fertilidade do solo.

Distribuição de mudas e controle de pragas

O evento também prevê a distribuição de 2.000 mudas de tomate, que é doce e fácil de cultivar, além de mudas de espécies que atraem inimigos naturais das pragas. Haverá um estande específico para ensinar os agricultores a controlar pragas e doenças, como o uso do cravo-de-defunto (tagetes), que, quando plantado junto com o tomate, repele pragas.

Palestras e oficinas

O evento contará com palestras de especialistas, como o Dr. Sérgio Donato, que abordará os benefícios da adubação orgânica para o aumento da produtividade. O Dr. Rafael Tocole, pró-reitor de pesquisa, falará sobre as tecnologias existentes para o controle de pragas e doenças usando microrganismos. Leonardo Farias, coordenador de pesquisa da SDR do governo da Bahia, discutirá as políticas públicas estaduais voltadas para a agroecologia e a produção orgânica.

Além das palestras, haverá oficinas práticas conduzidas por profissionais experientes. Por exemplo, o professor Dr. Marcelo Moura demonstrará como controlar pragas utilizando métodos biológicos autorizados para a agricultura orgânica.

Apresentação de trabalhos científicos

O evento também servirá como plataforma para a apresentação de cerca de 50 trabalhos científicos de diversas regiões do Brasil. No dia 31 de agosto, agricultores agroecológicos serão certificados novamente.

Fortalecimento do conhecimento agroecológico

Felizarda destaca que o controle de pragas envolve diversas estratégias, começando pela diversidade de plantas, como o plantio de tomate junto com manjericão ou cravo-de-defunto, o que ajuda a reduzir as pragas. Outro fator crucial é a qualidade do solo, que, quando bem adubado e coberto ao longo do tempo, se torna mais fértil e menos propenso a atrair pragas.

Ela também menciona a importância do tagete, que fortalece as plantas. Uma solução caseira é utilizar 100 gramas de flores secas de tagetes em dois litros de água quente, aplicando a mistura no solo e nas plantas de tomate após esfriar, o que auxilia no controle de nematoides.

Felizarda conclui que eventos como este proporcionam conhecimentos valiosos, tanto para estudantes que desejam seguir na academia, quanto para aqueles que pretendem empreender ou fornecer assistência técnica na área da agroecologia.

Clique no vídeo e assista ao bate-papo completo para conhecer mais sobre o Semiárido de Agroecologia e Produção Orgânica!

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