O leite materno é mais do que alimento: é vida, proteção e vínculo. Mesmo assim, o ato de amamentar ainda é cercado por mitos e desafios que geram dúvidas e inseguranças em muitas mulheres. Para falar sobre o tema no Fala Você Notícias desta sexta (03), conversamos com Eliane Soares, coordenadora do Banco de Aleitamento Materno do Hospital Geral de Guanambi (HGG), que destacou a importância da informação e do apoio às mães durante o puerpério.
“Não existe leite fraco. Todos os leites maternos são suficientes para o bebê. O organismo da mulher prepara exatamente o leite que a criança precisa”, explica Eliane. “Outro mito comum é achar que ordenhar o leite diminui a produção, mas acontece o contrário: quanto mais o bebê mama ou a mãe faz a retirada, mais leite o corpo produz. A mulher não é depósito de leite, ela é uma fábrica”, ressalta.
Segundo Eliane, os primeiros dias após o parto são marcados por intensas mudanças físicas e emocionais, o que pode tornar o processo de amamentação desafiador. “O maior problema que enfrentamos é a pega incorreta, que pode causar dor, rachaduras e até levar ao desmame precoce. É importante entender que esse desconforto é temporário e que os benefícios da amamentação compensam cada dificuldade”, afirma.
Ela reforça que o choro do bebê nem sempre está ligado à fome. “O recém-nascido chora porque sente falta do aconchego do útero, do calor da mãe. E o único lugar em que ele encontra segurança é no peito. Por isso, o aleitamento deve ser em livre demanda — não há horários fixos. O peito é alimento, mas também é afeto.”
Sobre os alimentos que ajudam na produção de leite, a coordenadora esclarece: “O que realmente aumenta o leite é a hidratação. O leite é formado, em grande parte, por água. Então, quanto mais líquidos a mãe beber, melhor. Não há estudos científicos que comprovem que certos alimentos aumentem o leite, mas manter uma alimentação equilibrada e estar bem emocionalmente faz toda a diferença.”
Eliane também lembra que a nutrição materna influencia na força e disposição, mas não determina a capacidade de amamentar. “Mesmo uma mulher desnutrida pode produzir leite. O mais importante é que ela tenha apoio emocional e esteja hidratada.”
Rede de apoio e acolhimento emocional
O Banco de Leite do HGG é mais do que um ponto de coleta — é uma rede de acolhimento. “Nós acompanhamos as mães em cada fase. Se ela está com dificuldade, orientamos, fazemos avaliação das mamas, ensinamos a pega correta e oferecemos suporte emocional. O puerpério é um momento delicado, e toda mulher precisa de apoio, especialmente do companheiro e da família”, destaca.
Eliane faz questão de reforçar que não amamentar não torna uma mulher menos mãe.
“Amamentar é fisiológico, mas nem todas conseguem. Isso também é natural. Se ela não pode, está tudo bem. O vínculo entre mãe e filho vai muito além do leite. O colo e o amor são insubstituíveis.”
Doação de leite: um gesto de amor que salva vidas
Para ser doadora, é necessário passar por uma triagem. “A mãe deve levar o cartão de gestante, para verificarmos se houve alguma intercorrência na gestação ou uso de medicamentos contraindicados para doação. Também avaliamos as mamas e orientamos sobre os cuidados com a retirada e o armazenamento do leite”, explica Eliane.
O leite doado é destinado principalmente a bebês internados na UTI Neonatal, que dependem dessa fonte de nutrição para sobreviver.
“A doação é um ato de amor. Só precisamos do leite excedente — aquele que sobra após alimentar o bebê. O leite da mãe é o melhor remédio para os recém-nascidos.”
Chupeta, confusão de bicos e estímulo da amamentação
Durante a entrevista, Eliane compartilhou um caso que ilustra um dos erros mais comuns: o uso precoce de chupetas e mamadeiras.
“Um bebê de 40 dias chegou muito irritado porque já usava chupeta. Expliquei à mãe que nos primeiros meses ele precisa reconhecer apenas o bico do peito. Quando oferecemos dois tipos de bico, o bebê se confunde e pode rejeitar o seio. O melhor bico do mundo é o da mãe.”
Benefícios para mãe e bebê
Os benefícios do leite materno vão muito além da nutrição. “Ele atua na formação da fala, da visão, do sistema imunológico e da musculatura facial do bebê. Crianças amamentadas adoecem menos e têm desenvolvimento mais saudável”, destaca Eliane.
Além disso, a amamentação também protege a saúde da mulher, sendo um fator importante na prevenção do câncer de mama. “Quanto mais tempo a mulher amamenta, menor o risco de desenvolver o câncer. A amamentação regula hormônios e reduz as mutações celulares”, explica.
Atendimento especializado e incentivo à doação
O Banco de Leite do HGG oferece atendimento completo às doadoras. “Temos pediatra todas as quartas-feiras, pela manhã e à tarde, para acompanhar as mães cadastradas. Cuidamos do leite e do bebê com todo o carinho”, conclui Eliane.
Banco de Aleitamento Materno – Hospital Geral de Guanambi (HGG) - WhatsApp para contato e informações: (77) 3451-8696.
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