O que deveria ser motivo de comemoração se transformou em angústia para a comunidade escolar do antigo Colégio Modelo, agora denominado Colégio Estadual de Tempo Integral Professora Beatriz Gomes de Souza de Barros, em Guanambi. A tão aguardada reforma e ampliação da unidade, iniciada em julho, vem trazendo sérios prejuízos à saúde e à aprendizagem de alunos, professores e trabalhadores.
Durante entrevista ao Fala Você Notícias desta terça (19), pais, estudantes e educadores relataram as dificuldades enfrentadas diariamente dentro de um verdadeiro canteiro de obras. Daniel Santana e Anita Magalhães, pais e educadores, Hilaine Santos, mãe de estudante, e Luiz Henrique, aluno e ouvidor do colégio, denunciaram as condições insalubres e cobraram medidas urgentes do poder público.
Adoecimento e risco constante
Segundo os relatos, vários estudantes já apresentaram problemas respiratórios devido à poeira do cimento e à inalação de resíduos da obra. Professores também precisaram se afastar das salas de aula com atestados médicos. “Meu filho ficou duas semanas entrando e saindo da emergência. O médico chegou a perguntar se ele fumava, de tanto resíduo encontrado no pulmão”, contou emocionada a mãe Hilaine Santos.
Além da poeira, os alunos convivem diariamente com barulho intenso, riscos de quedas, fios expostos e banheiros sem condições de uso. Para os autistas, o barulho repetitivo tem agravado ainda mais o sofrimento.
O estudante Luiz Henrique, que também exerce a função de ouvidor jovem, relatou: “Os trabalhadores da obra usam equipamentos de proteção, mas nós, alunos e professores, estamos totalmente expostos. O banheiro está caindo aos pedaços, o forro desabando e ainda somos acusados de vandalismo quando denunciamos os problemas”.
Professores adoecidos e prejuízo pedagógico
Para a professora Anita Magalhães, que também adoeceu, a situação já ultrapassou os limites do aceitável: “Não existe condição pedagógica dentro de um ambiente cheio de pó de cimento e barulho de obra. A escola está funcionando num verdadeiro caos. Isso não é escola, é desumanização”.
Cobrança ao poder público
O pai de aluno Daniel Santana reforçou que o caso não é apenas estrutural, mas de saúde pública e de descaso com a educação: “Estamos sacrificando uma geração inteira em nome de prédios bonitos. Educação não é só parede pintada. Precisamos de um ambiente seguro, de professores valorizados e de um projeto pedagógico sério”.
Mobilização e denúncia ao MP
A comunidade escolar já encaminhou documentos ao Ministério Público e à Secretaria Estadual de Educação denunciando as condições. A secretária de Educação, Rowenna Brito, chegou a visitar a escola no dia 12 de agosto e prometeu suspender a obra até que um espaço alternativo fosse providenciado. No entanto, as atividades seguem normalmente no colégio, contrariando o compromisso assumido.
Diante da demora em providenciar um novo local — a expectativa é de transferência temporária para a UNOPAR —, pais e professores afirmam que não hesitarão em paralisar a obra à força, caso nada seja feito. “Temos duas opções: parar a obra ou parar as aulas. As duas coisas juntas não têm como continuar”, reforçou Daniel.
Chamado à comunidade
Pais, professores e estudantes convocam a população de Guanambi a se mobilizar pela causa. “Não podemos esperar uma tragédia acontecer. A vida dos nossos filhos está em risco”, alertou Hilaine.
A denúncia já repercute em toda a cidade e promete gerar pressão sobre o Governo do Estado. Enquanto isso, a comunidade escolar pede socorro e exige respeito: “Escola não é canteiro de obras, é lugar de aprendizado e vida”.
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