9º SEAPO reforça protagonismo do IF Baiano na produção orgânica e agroecológica no Semiárido

Evento celebra conquistas de agricultores certificados, apresenta tecnologias sustentáveis desenvolvidas no IF Baiano e debate os desafios das mudanças climáticas para a produção no sertão.

Professora e pesquisadora Dra. Felizarda Bebé, e Neide Lu, jornalista.

O Instituto Federal Baiano – Campus Guanambi sedia, nos dias 8 e 9 de agosto, o 9º Semiárido de Agroecologia e Produção Orgânica (SEAPO), um dos eventos mais importantes da região voltado à promoção da agricultura sustentável no território Sertão Produtivo. Coordenado pela professora e pesquisadora Dra. Felizarda Bebé, o encontro é um marco na história da agroecologia regional, reunindo agricultores, estudantes, pesquisadores, gestores públicos e entusiastas da alimentação saudável.

“Esse evento representa a realização de um sonho coletivo. Em 2019, certificamos cinco agricultores orgânicos. Este ano, temos 14 propriedades em processo de certificação, um avanço significativo diante dos desafios que envolvem a produção sem agrotóxicos e adubos químicos”, destacou Felizarda durante entrevista ao programa Fala Você Notícias.

A coordenadora enfatizou que o SEAPO é mais que um evento técnico — é também um espaço de transformação social. “Produzir orgânico é possível, viável e necessário. São cinco anos de pesquisas com apoio do IF Baiano que hoje resultam em protocolos acessíveis aos agricultores da região, desde pequenos produtores familiares até propriedades maiores. Estamos colhendo 70 kg de tomate por semana sem usar uma gota de agrotóxico ou adubo mineral, só com tecnologia social desenvolvida aqui”, afirmou.

Orgânico com rigor e responsabilidade

As exigências para a certificação são rígidas. A água usada na propriedade deve ser tratada, o lixo precisa ser separado e descartado de forma ambientalmente adequada, e até a alimentação dos animais deve obedecer a regras específicas — como a proibição de ração transgênica. “No sistema orgânico não existe jeitinho. Ou cumpre as regras, ou não certifica. É um estilo de vida, uma filosofia de respeito ao meio ambiente e à saúde pública”, explicou.

O evento também reforça o papel da Rede Povos da Mata, certificadora participativa credenciada pelo Ministério da Agricultura e única na Bahia. “Eles fazem uma fiscalização detalhada, com equipe externa, para garantir que tudo esteja conforme a legislação. As 14 propriedades que estão no nosso projeto serão avaliadas agora e a expectativa é de que todas sejam aprovadas.”

Feira orgânica e conhecimento compartilhado

Além de palestras, o SEAPO oferece oficinas, estandes, apresentação de trabalhos científicos e distribuição de biofertilizantes, sementes crioulas e mudas. “É um momento de troca de saberes e práticas. Teremos estandes de punks (plantas alimentícias não convencionais), sementes crioulas — como milho e feijão — e outras experiências que mostram, na prática, como é possível produzir com respeito à natureza”, detalhou a professora.

Entre os temas centrais, destaque para o impacto das mudanças climáticas na produção agrícola. “As altas temperaturas e chuvas intensas afetam diretamente a produção no Semiárido. Por isso, precisamos discutir adaptações, como sombrites e sistemas agroflorestais, além de políticas públicas de apoio ao pequeno produtor.”

Neide Lu, jornalista, e a professora e pesquisadora Dra. Felizarda Bebé.

Evento aberto e gratuito

A programação do SEAPO acontece no dia 8 de agosto no IF Baiano – Campus Guanambi, das 8h às 17h, com palestras pela manhã e oficinas à tarde. No dia 9, a feira orgânica será realizada na Praça Jacinto Coelho (Praça do Bradesco), das 8h às 12h, reunindo produtos certificados de diversas regiões da Bahia, como Morro do Chapéu da Chapada Diamantina.

“O SEAPO é aberto ao público. Qualquer pessoa pode participar. Já estamos com mais de 600 inscritos e, mesmo que o espaço físico esteja cheio, vamos transmitir as atividades em salas de aula. Nossa missão é democratizar o acesso ao conhecimento e à alimentação saudável”, reforçou a coordenadora.

Felizarda também destacou o papel dos estudantes do curso de Agronomia, especialmente do 6º semestre, na organização dos estandes e produção dos materiais educativos. “Aqui se aprende fazendo. Eles leem artigos, testam práticas e preparam doações. Essa é a verdadeira extensão: conectar saber acadêmico com as necessidades do povo.”

Projeto Orgânico Inteligente

O evento integra as ações do projeto “Orgânico Inteligente”, financiado pelo Governo do Estado e pela PROEX do IF Baiano, com recursos da FAPESB. A iniciativa oferece suporte técnico, aquisição de insumos e bolsas para estudantes, além de acompanhamento direto nas propriedades.

“Esse projeto transforma vidas. Muitos jovens hoje decidem permanecer no campo porque se sentem valorizados, reconhecem a importância de sua produção e enxergam futuro. E nosso papel como instituição pública é justamente esse: promover saúde, dignidade e desenvolvimento sustentável”, finalizou a professora.

Confira a entrevista completa com a Dra. Felizarda Bebé no canal Neide Lu Fala Você Notícias, no YouTube. É só dar o play e se inspirar com essa verdadeira aula sobre agroecologia e produção orgânica no Semiárido!

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