XI Conferência Municipal de Saúde de Guanambi reforça participação popular na construção das políticas públicas

Evento discute desafios da saúde, controle social e temas transversais como a violência contra a mulher.

Alceniêlia Santos, presidenta do CMDDM, secretário de Saúde, Edmilson Junior, e Neide Lu, jornalista.

Acontece nesta terça (29) e quarta-feira (30), a XI Conferência Municipal de Saúde de Guanambi, com o tema “Nosso território, nossa voz – o SUS começa onde o povo está”. O evento, sediado na Primeira Igreja Batista do bairro Aeroporto Velho, é promovido pela Secretaria Municipal de Saúde e pelo Conselho Municipal de Saúde, reunindo gestores, profissionais, prestadores de serviço e a população para debater os rumos da saúde pública no município.

De acordo com o secretário de Saúde, Edmilson Junior, a conferência é um espaço democrático e essencial para que a comunidade participe ativamente das decisões em saúde. “Mais que um evento, a conferência é uma conquista social. Ela fortalece o controle social e dá voz à população, que passa a influenciar diretamente no planejamento das políticas públicas. As decisões tomadas aqui impactam nos próximos quatro anos de gestão”, destacou.

Edmilson relembrou que, desde a criação do SUS, na década de 1990, as conferências se tornaram obrigatórias por lei e são instrumentos de escuta qualificada. “Os problemas vividos no dia a dia da população devem ser discutidos de forma coletiva, com protagonismo dos usuários, trabalhadores e gestores. A saúde não é feita apenas nos gabinetes, mas nas ruas, nas unidades, nos territórios onde as pessoas vivem e produzem saúde”.

Propostas que viram políticas públicas

Durante o evento, os participantes se dividem em grupos de trabalho para debater e apresentar propostas nos quatro eixos temáticos: promoção da saúde, prevenção e cuidado integral; saúde mental e humanização; gestão do trabalho e educação; e participação social. As sugestões aprovadas vão compor o Plano Municipal de Saúde, principal instrumento de planejamento da gestão.

“É a partir desse plano que os recursos da saúde serão investidos nos próximos anos. A conferência marca o início do planejamento de forma viva, participativa e coletiva”, pontuou o secretário. Ele reforçou que 50% dos delegados que votam nas propostas são representantes da sociedade civil, garantindo o protagonismo popular nas decisões.

Alceniêlia Santos: “A conferência é o momento de ser protagonista”

Para Alceniêlia Santos, presidente do Conselho Municipal de Saúde, a conferência é uma oportunidade de sair do papel de espectador e assumir o lugar de protagonista na construção de políticas públicas. “É o momento em que deixamos de apenas reclamar e buscamos soluções em conjunto. Saúde é um direito, não um favor. Precisamos nos posicionar, participar dos espaços deliberativos e entender que a mudança depende também de nós”.

Ela também destacou que o Conselho Municipal de Saúde atua diariamente no acompanhamento e fiscalização da política pública, mas ainda enfrenta desafios, como o baixo engajamento da população. “Estamos avançando na transparência e na comunicação com a sociedade, mas ainda precisamos criar estratégias mais eficazes para atrair a participação da comunidade”.

Violência contra a mulher como tema transversal

Durante a entrevista, um tema urgente ganhou destaque: a violência contra a mulher. Edmilson e Alceniêlia reforçaram que a saúde tem papel fundamental no enfrentamento desse problema, que é considerado uma notificação compulsória.

“Infelizmente, muitos casos ainda são invisibilizados. A saúde precisa estar preparada para identificar e agir frente à violência. Isso exige trabalho intersetorial com educação, assistência social, segurança pública e justiça. A sociedade naturalizou essa violência por muito tempo, e precisamos romper com esse ciclo”, enfatizou o secretário.

Alceniêlia complementou: “O machismo ainda está enraizado na estrutura social e muitas mulheres não reconhecem seu próprio papel. Há ausência de representatividade feminina em espaços de poder, inclusive aqui em Guanambi. Precisamos de políticas de fortalecimento da mulher e também de dados reais para que as ações sejam mais efetivas”.

Secretário de Saúde, Edmilson Junior, Neide Lu, jornalista, e Alceniêlia Santos, presidenta do CMDDM.

Desafios e propostas para o futuro

Entre os desafios debatidos, foi mencionada a dificuldade de formar a Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, essencial para a vigilância e promoção da saúde laboral. Apesar de tentativas por meio de editais, a comissão não foi estruturada. A expectativa é de que, mesmo no fim da atual gestão do Conselho, seja possível iniciar os preparativos para que a próxima composição consiga implementá-la.

Convite à participação

A abertura oficial da conferência ocorre nesta terça-feira (29), às 18h, na Primeira Igreja Batista, localizada em frente à Escola José Neves Teixeira, no bairro Aeroporto Velho. Na quarta-feira (30), a programação se estende durante o dia, com a realização dos eixos temáticos e plenária final de votação das propostas.

A palestra magna será ministrada por Alceniêlia Santos, conselheira estadual de saúde, especialista em gestão e trabalhadora do SUS, reforçando a valorização do território local e das lideranças que nele atuam.

“A conferência não é só mais um evento. Ela é o coração do SUS, onde cada cidadão pode sugerir, criticar e propor soluções. Não fique de fora. Participe, traga sua voz e ajude a construir um SUS mais forte, mais justo e mais próximo da realidade do nosso povo”, concluiu Edmilson.

Assista e participe virtualmente! Sua opinião faz a diferença na construção de uma saúde pública mais justa, humana e eficiente.

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