O programa CNH do Brasil provocou forte aumento na procura pela primeira habilitação em 2026. Entre janeiro e agosto, foram registrados 7,3 milhões de pedidos, alta de 216% em relação aos 2,3 milhões contabilizados no mesmo período de 2025. Em nove meses, mais de 2 milhões de brasileiros já obtiveram a carteira de motorista.
A redução de custos e a digitalização de etapas estão entre os principais fatores apontados para a mudança. Segundo o Ministério dos Transportes, o impacto econômico estimado chega a R$ 9,64 bilhões. O custo médio da primeira CNH nas categorias A e B caiu de R$ 3.169 para R$ 1.265, uma redução de aproximadamente 60%.
O tempo necessário para concluir o processo também diminuiu. A mediana passou de 210 para 147 dias, queda de 30%. Na formação prática, a carga mínima obrigatória foi reduzida de 20 para duas horas, com possibilidade de contratação de instrutores autônomos autorizados pelos Detrans.
Dos 4.182.803 cursos práticos realizados em 2026, 552.994 foram conduzidos por instrutores autônomos, correspondendo a 13,2% do total. Já o curso teórico passou a ser oferecido gratuitamente e de forma digital pelo aplicativo CNH do Brasil. Até agosto, foram realizados 4,38 milhões de cursos, crescimento de 121,4% sobre os 1,98 milhão registrados no mesmo período de 2025.
O Nordeste concentrou 54,7% das entradas no processo de primeira habilitação, enquanto o Norte respondeu por 31,9%. Entre as mulheres, os pedidos passaram de 1.056.960 em 2025 para 1.246.979 em 2026, aumento de 18%.
Renovação automática para bons condutores
Outra mudança alcançou 1,73 milhão de motoristas classificados como bons condutores. A renovação automática e gratuita contempla pessoas sem pontos ou infrações registradas na CNH nos últimos 12 meses e inscritas no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC).
O Ministério dos Transportes também informou que a proporção de novos habilitados com registro de infração caiu de 2,36% para 0,54%. O próprio ministério ressalta que o dado é um indicador do período e não permite atribuir diretamente a redução às alterações nas regras.
A flexibilização da formação também provocou discussões sobre o modelo de ensino. Especialistas citados na reportagem apresentam argumentos favoráveis e contrários à redução da obrigatoriedade das autoescolas, principalmente em relação à estrutura e à qualidade da preparação dos candidatos.
O governo, por sua vez, afirma que a formação continua condicionada à aprovação em exames teóricos e práticos, além de biometria e avaliações médicas.
Dados do Ministério dos Transportes apontam ainda que 478 autoescolas encerraram as atividades até agosto de 2026, contra 266 no mesmo período de 2025. Segundo a pasta, o movimento representa uma reorganização do mercado.
Principais mudanças da CNH do Brasil
- Curso teórico: gratuito e realizado de forma digital pelo aplicativo oficial.
- Aulas práticas: carga mínima de duas horas, com possibilidade de contratação de instrutores autônomos autorizados.
- Custo: redução de até 80% no valor da habilitação, conforme estimativa do Ministério dos Transportes.
- Renovação: automática e gratuita para bons condutores que atendam aos critérios do RNPC.
- Processo: etapas digitais e maior flexibilidade na formação.
Com a redução dos custos, a digitalização e a flexibilização das etapas, o novo modelo ampliou o acesso à primeira habilitação e acelerou a conclusão do processo. Os dados divulgados pelo governo também mantêm em debate os efeitos das mudanças sobre candidatos, instrutores e autoescolas.
Fonte: Ministério dos Transportes
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