Violência muda rotina e escolhas de 98% das mulheres brasileiras

Pesquisa aponta que 78% das mulheres já sofreram algum tipo de violência e que o medo interfere em lazer, mobilidade, trabalho e estudos.

Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil.

A violência e o medo de sofrer agressões alteram o cotidiano de 98% das mulheres brasileiras, segundo pesquisa nacional. O levantamento mostra ainda que 78% afirmam já ter enfrentado pelo menos um tipo de violência, enquanto 94% relatam sentir insegurança diante da violência no dia a dia.

Realizada com 1,5 mil pessoas de todas as regiões do país, com 16 anos ou mais, a pesquisa foi conduzida entre 22 e 30 de abril de 2026. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais.

A insegurança também interfere na mobilidade. Entre as mulheres entrevistadas, 90% evitam determinados locais e 88% deixam de compartilhar informações pessoais ou localização nas redes sociais. Além disso, 84% evitam usar o celular na rua e 83% evitam sair à noite.

O medo também provoca mudanças em hábitos e escolhas. Cerca de 62% já alteraram atividades de lazer e 58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam. Outros 45% afirmaram ter perdido oportunidades de trabalho ou estudo por receio da violência, enquanto 44% já consideraram mudar de bairro ou cidade em busca de maior segurança.

Medidas de prevenção

Entre as estratégias adotadas, 83% avisam alguém sobre seus deslocamentos, 77% compartilham a localização com pessoas de confiança e 69% mudam trajetos habituais. Já 66% recorrem a transporte por aplicativo para evitar caminhar pelas ruas e o mesmo percentual pede companhia para sair de casa.

A percepção de insegurança também aparece no transporte e nos espaços de lazer. Segundo o levantamento, 42% das mulheres não se sentem seguras em pontos de ônibus e estações, enquanto 33% relatam insegurança dentro do transporte público.

Políticas públicas

A pesquisa aponta que 95% das entrevistadas consideram importante ampliar canais de denúncia e apoio às vítimas. A melhoria da infraestrutura urbana, incluindo transporte, iluminação e espaços públicos, é considerada relevante por 93%.

O levantamento também mostra que 93% defendem políticas específicas de proteção às mulheres e ações de prevenção, como educação e mudança cultural. A redução das desigualdades sociais e econômicas é apontada como estratégia importante por 92%.

Além disso, 78% afirmam que propostas de combate à violência contra mulheres nas ruas e no transporte público podem influenciar suas decisões de voto nas próximas eleições.

Os dados mostram que a violência e a sensação de insegurança estão associadas a mudanças no deslocamento, lazer, estudos e oportunidades profissionais das mulheres. A pesquisa destaca a ampliação de canais de proteção, prevenção e melhorias nos espaços urbanos entre as medidas consideradas prioritárias pelas entrevistadas.

Fontes: Instituto Patrícia Galvão; Instituto Locomotiva; Fórum Brasileiro de Segurança Pública / agência Brasil

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