A enxaqueca vai muito além de uma simples dor de cabeça e pode afetar significativamente a qualidade de vida. Em determinadas situações, principalmente quando há aura, tabagismo e uso de anticoncepcionais hormonais combinados, a condição pode estar associada a um aumento importante do risco de acidente vascular cerebral (AVC).
A doença atinge milhões de brasileiros e está entre as principais causas de incapacidade entre adolescentes e adultos jovens. As mulheres representam a maior parte dos pacientes diagnosticados, e as oscilações hormonais estão entre os fatores que podem desencadear ou intensificar as crises.
O estrogênio influencia mecanismos cerebrais relacionados à percepção da dor. Por isso, alterações hormonais durante o ciclo menstrual podem favorecer episódios mais frequentes ou intensos em algumas mulheres. A enxaqueca também apresenta componente hereditário, com fatores ambientais e comportamentais atuando como possíveis gatilhos.
Quando o risco de AVC merece atenção
A preocupação aumenta especialmente diante da combinação entre enxaqueca com aura, anticoncepcional com hormônios combinados e tabagismo. Segundo especialista citada na matéria, a presença simultânea desses fatores pode elevar significativamente o risco de AVC.
A aura pode ocorrer antes ou durante a crise e inclui manifestações neurológicas, como alterações na visão. Por isso, mulheres que apresentam esse tipo de sintoma e utilizam anticoncepcionais hormonais devem conversar com um profissional de saúde sobre os riscos e as opções disponíveis.
Além da dor, a enxaqueca pode provocar náuseas, sensibilidade à luz e ao som e outros sintomas capazes de prejudicar atividades profissionais, estudos e relações sociais.
Tratamento deve ser individualizado
O controle da doença não deve se limitar ao uso de analgésicos durante as crises. O acompanhamento médico pode combinar medicamentos preventivos e estratégias não medicamentosas, levando em consideração fatores hormonais, emocionais, alimentares e comportamentais.
A automedicação também merece cuidado. O uso excessivo de analgésicos pode contribuir para a cronificação da enxaqueca, enquanto o consumo exagerado de cafeína pode favorecer a manutenção das crises em algumas pessoas.
Diante de episódios frequentes, intensos ou acompanhados de aura, a recomendação é buscar avaliação médica, preferencialmente com neurologista especializado em cefaleias. O diagnóstico correto e o tratamento individualizado podem reduzir as crises e ajudar a preservar a qualidade de vida.
Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS); Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS); Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca (Abraces)
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