A percepção sobre o avanço da violência doméstica é maior entre as mulheres da Bahia do que na média nacional. Pesquisa divulgada pelo Senado Federal mostra que 84% das baianas acreditam que os casos aumentaram, percentual superior aos 79% registrados no país.
O levantamento, realizado pelo DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), ouviu 21.641 mulheres em todo o Brasil e reúne dados referentes a 2025.
A pesquisa também revela que parte das situações de violência não é reconhecida pelas próprias vítimas. Segundo o estudo, 33% das entrevistadas relataram ter vivido experiências compatíveis com violência doméstica ou familiar, mas apenas 4% se identificaram espontaneamente como vítimas. Dessa forma, 29% passaram por situações de violência sem reconhecê-las dessa maneira.
Especialistas ouvidos pelo Senado destacam que identificar os diferentes tipos de violência é um passo importante para que as mulheres possam buscar proteção e acessar os serviços disponíveis na rede de atendimento.
Companheiros são os principais agressores
No cenário nacional, o levantamento aponta que, em 62% dos casos, o marido ou companheiro é identificado como agressor. Além disso, 12% das mulheres que relataram situações de violência afirmaram que ainda vivem com o autor das agressões.
Conhecimento sobre a Lei Maria da Penha
A pesquisa também avaliou o nível de conhecimento das entrevistadas sobre a Lei Maria da Penha. No país, 78% afirmaram conhecer pouco ou nada sobre a legislação. Desse total, 67% disseram ter pouco conhecimento e 11% declararam não conhecer a lei.
Em relação à rede de proteção, as Delegacias da Mulher são conhecidas por 93% das entrevistadas. O serviço Ligue 180 é conhecido por 76%, enquanto a Defensoria Pública foi citada por 87% e os serviços de assistência social, como CRAS e CREAS, por 81%.
A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher é realizada pelo Senado há duas décadas e integra o Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma que reúne informações sobre a violência contra mulheres nos estados brasileiros.
Os dados reforçam a necessidade de ampliar a informação sobre os diferentes tipos de violência e fortalecer a rede de proteção, especialmente diante da percepção de crescimento dos casos entre as mulheres baianas.
Fontes: Senado Federal, DataSenado e Observatório da Mulher contra a Violência (OMV)
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