A alimentação pode ter efeitos que vão além da saciedade e da saúde física. A qualidade dos alimentos consumidos diariamente também está relacionada a processos que envolvem o funcionamento do cérebro, o humor, a concentração, o sono e o equilíbrio emocional.
Uma dieta equilibrada, com alimentos in natura ou minimamente processados, pode contribuir para o bom funcionamento do organismo. Já o consumo frequente de ultraprocessados, açúcar e gorduras de baixa qualidade pode estar associado à fadiga, alterações cognitivas e maior instabilidade emocional.
Frutas, verduras, legumes, leguminosas, oleaginosas, peixes e fontes de gorduras insaturadas estão entre os alimentos associados a uma melhor regulação metabólica e a menores níveis de inflamação no organismo.
Por outro lado, o consumo excessivo de açúcar e farinhas refinadas pode provocar oscilações nos níveis de glicose e insulina, favorecendo queda de energia, irritabilidade, aumento da fome e dificuldade de concentração.
Os ultraprocessados também podem contribuir para processos inflamatórios e estresse oxidativo, fatores que podem interferir em regiões cerebrais relacionadas ao humor, à memória e ao controle emocional.
Uma alimentação com quantidade suficiente de calorias nem sempre garante a oferta adequada de nutrientes. Substâncias como ômega 3, vitaminas do complexo B, magnésio, ferro, vitamina D, zinco, proteínas e aminoácidos participam de processos ligados à produção de energia e ao funcionamento do sistema nervoso.
A qualidade nutricional dos alimentos, portanto, também pode influenciar o desempenho cerebral e o equilíbrio do organismo.
Intestino também tem ligação com o humor
A comunicação entre intestino e cérebro é outro ponto importante dessa relação. O processo envolve o sistema nervoso, hormônios ligados ao estresse, mecanismos inflamatórios e a microbiota intestinal.
Uma alimentação pobre em fibras e com alta presença de produtos ultraprocessados pode favorecer desequilíbrios na microbiota, conjunto de microrganismos que participa de diversas funções do organismo e influencia a comunicação com o sistema nervoso central.
A relação, no entanto, funciona nos dois sentidos. Estresse, privação de sono, rotina e emoções também podem alterar as escolhas alimentares, levando ao maior consumo de alimentos associados à sensação imediata de prazer e recompensa.
Embora a alimentação seja um dos fatores relacionados ao funcionamento cerebral e ao bem-estar emocional, ela não substitui o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico quando necessário.
O cuidado com a saúde mental envolve diferentes aspectos, como alimentação, sono, rotina, contexto de vida e regulação emocional. Manter uma dieta equilibrada pode contribuir para o funcionamento do cérebro, mas deve fazer parte de uma abordagem mais ampla de promoção da saúde e qualidade de vida.
Fonte: Nutricionista e psicóloga Flávia Lucena
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