Um estudo da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, alerta que os critérios atualmente utilizados para identificar mulheres com maior risco de câncer de mama antes dos 50 anos podem deixar até 95% dos casos futuros fora do radar. A pesquisa aponta que a avaliação baseada principalmente em histórico familiar e alterações genéticas pode não identificar parte significativa das mulheres jovens que desenvolverão a doença.
Os pesquisadores analisaram os critérios adotados pelo Instituto Nacional de Saúde e Excelência Assistencial do Reino Unido (NICE). Segundo estudos anteriores citados no trabalho, pelo menos 65% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama antes dos 50 anos não possuem histórico familiar conhecido da doença.
Avaliação de risco pode ser ampliada
A equipe de Cambridge defende uma análise mais abrangente, considerando fatores reprodutivos e hormonais, peso, histórico familiar, densidade mamária e características genéticas.
Uma das ferramentas citadas é a CanRisk, que reúne diferentes informações para calcular o risco individual de desenvolvimento do câncer de mama. A estratégia pode ajudar a identificar mulheres que eventualmente necessitem de acompanhamento mais próximo, rastreamento antecipado ou medidas preventivas.
Atualmente, no Reino Unido, mulheres com menos de 50 anos dependem principalmente da identificação de histórico familiar relevante ou de alterações genéticas consideradas de alto risco para ter acesso a determinadas estratégias de rastreamento e prevenção.
Casos em mulheres jovens preocupam
Os pesquisadores destacam que a ocorrência de câncer de mama entre mulheres antes da menopausa vem aumentando em diferentes países. Além disso, alguns tumores diagnosticados em pacientes mais jovens podem apresentar características mais agressivas.
O estudo reforça, assim, a necessidade de aprimorar as ferramentas de avaliação individual de risco, ampliando a identificação de mulheres que possam se beneficiar de estratégias de acompanhamento e prevenção.
A proposta não significa que todas as mulheres jovens devam realizar exames adicionais, mas evidencia a importância de aperfeiçoar os critérios de identificação de risco e de considerar diferentes características individuais na avaliação médica.
Fontes: Universidade de Cambridge; NICE (Instituto Nacional de Saúde e Excelência Assistencial do Reino Unido); CanRis
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