Falta de vacinas contra clostridioses pode continuar até 2027

Sindan prevê recuperação gradual dos estoques, mas alerta para possíveis dificuldades pontuais no início do próximo ano.

Foto: Divulgação/ Sec. Agricultura e Pecuária do Rio de Janeiro.

A oferta de vacinas contra clostridioses ainda é um desafio para a pecuária brasileira e pode continuar exigindo atenção no início de 2027. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), as fabricantes trabalham para recompor os estoques, mas o tempo necessário para produzir os imunizantes impede uma normalização imediata.

A redução da oferta ganhou força após a saída de fabricantes do mercado, afetando principalmente vacinas utilizadas na prevenção de doenças clostridiais em bovinos. Em abril, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) relatou dificuldades de abastecimento em Mato Grosso do Sul e Rondônia e identificou cerca de 35 marcas registradas que poderiam atender à demanda.

Para ampliar a disponibilidade, o governo autorizou medidas emergenciais de fabricação e importação. Em julho, 5,44 milhões de doses chegaram ao mercado brasileiro, sendo 4,03 milhões importadas e 1,41 milhão produzidas no país.

Estoques ainda exigem atenção

De acordo com o Sindan, a recomposição está em andamento, mas podem ocorrer faltas pontuais no começo de 2027. O sindicato também trabalha com o MAPA para melhorar o planejamento e garantir maior regularidade no fornecimento.

Um dos desafios é a ausência de uma demanda nacional centralizada para as vacinas clostridiais. Para estimar a necessidade de cada região, o setor passou a reunir informações de distribuidores e secretarias estaduais de Agricultura.

Os dados deverão ajudar no planejamento da produção de 2027 e na criação de um estoque de segurança, reduzindo o risco de novas oscilações no abastecimento.

Vacinação é essencial para proteger o rebanho

A preocupação do setor está relacionada à gravidade das clostridioses, doenças que podem provocar mortes rápidas em animais. Em maio, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também alertou para os riscos sanitários provocados pela dificuldade de acesso aos imunizantes.

Segundo o Sindan, não existe um substituto direto para a vacinação. Embora possa ocorrer aumento pontual no uso de antimicrobianos, a entidade considera improvável que esses medicamentos substituam de forma significativa a imunização preventiva dos rebanhos.

A expectativa é de recuperação gradual da oferta ao longo do segundo semestre de 2026. Ainda assim, o setor mantém atenção para possíveis problemas de abastecimento no início de 2027. Em maio, o Sindan estimava disponibilizar cerca de 154 milhões de doses até dezembro, com liberações mensais entre 10 milhões e 12 milhões.

Fonte: Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan); Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA); Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA); CNN Brasil

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