Colírio com insulina mostra potencial para tratar doença da córnea e preservar a visão

Estudos apontam alta taxa de cicatrização em pacientes com ceratopatia neurotrófica, mas especialistas alertam que a terapia ainda depende de novas pesquisas.

Foto: Reprodução.

Pesquisas recentes indicam que um colírio à base de insulina pode representar um avanço no tratamento da ceratopatia neurotrófica, doença rara que compromete a cicatrização da córnea e pode levar à perda da visão. Os resultados são considerados promissores, embora especialistas reforcem que ainda são necessários estudos clínicos mais amplos antes da adoção da terapia na prática médica.

Uma revisão científica publicada no Journal of Ocular Pharmacology and Therapeutics reuniu estudos da última década e concluiu que a insulina tópica favorece a cicatrização da córnea, estimula a regeneração dos nervos oculares e acelera a recuperação de lesões persistentes que costumam resistir aos tratamentos convencionais.

Outro estudo, divulgado no Canadian Journal of Ophthalmology, avaliou 28 pacientes com ceratopatia neurotrófica. Entre os casos moderados e graves, 78,3% apresentaram cicatrização completa das lesões após o uso do colírio de insulina, com recuperação média em cerca de um mês e poucos efeitos adversos.

Segundo especialistas, a ação da insulina vai além do controle da glicemia. O hormônio estimula a regeneração celular, reduz a morte das células da córnea e pode favorecer a recuperação dos nervos oculares, tornando-se uma alternativa especialmente promissora para pacientes que não respondem aos tratamentos tradicionais.

Outro fator que desperta interesse é o custo. Enquanto medicamentos específicos para a doença podem chegar a cerca de US$ 100 mil por um ciclo de tratamento e não estão disponíveis no Brasil, a formulação experimental do colírio de insulina teria custo estimado em aproximadamente US$ 150 no mesmo período.

Apesar dos resultados positivos, pesquisadores destacam que ainda não existe um protocolo padronizado para o uso da insulina tópica. Ensaios clínicos maiores, com diferentes populações e acompanhamento de longo prazo, serão fundamentais para confirmar a eficácia e a segurança do tratamento antes que ele passe a integrar a rotina dos consultórios oftalmológicos.

Fonte: Journal of Ocular Pharmacology and Therapeutics; Canadian Journal of Ophthalmology; Hospital Israelita Albert Einstein; Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

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