Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificou que a sertralina, medicamento amplamente utilizado no tratamento da depressão e da ansiedade, pode se tornar uma aliada no combate a infecções causadas por fungos resistentes aos tratamentos convencionais.
Os resultados, publicados na revista científica Genetics and Molecular Biology, mostram que o medicamento provoca alterações metabólicas em diferentes processos celulares dos fungos, comprometendo sua sobrevivência. A pesquisa integra um Projeto Temático financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Segundo os pesquisadores, a sertralina atua simultaneamente sobre diversos mecanismos celulares, como a produção de energia, síntese de proteínas, metabolismo e integridade das membranas, reduzindo a capacidade de adaptação e resistência de fungos como Candida albicans, Candida auris, Cryptococcus neoformans, Aspergillus fumigatus e Trichophyton rubrum.
O estudo também destaca o conceito de reposicionamento de fármacos (drug repurposing), estratégia que busca novas aplicações terapêuticas para medicamentos já aprovados, reduzindo tempo, custos e riscos no desenvolvimento de tratamentos.
Apesar dos resultados considerados promissores, os cientistas ressaltam que ainda são necessários novos estudos para confirmar a segurança e a eficácia da sertralina como antifúngico em aplicações clínicas. A expectativa é que a descoberta amplie as opções terapêuticas para pacientes com infecções fúngicas resistentes.
Fontes: Universidade de São Paulo (USP); Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP); Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp); Genetics and Molecular Biology
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