ONU alerta para risco de avanço do HIV com queda nos investimentos globais

Relatório do UNAIDS aponta que avanços científicos podem ser comprometidos pela redução de recursos e dificuldades no acesso à prevenção e ao tratamento.

Foto: Shutterstock.

A redução do financiamento internacional e a queda na oferta de serviços de prevenção podem ameaçar décadas de avanços no combate ao HIV, segundo alerta da Organização das Nações Unidas (ONU). O relatório do UNAIDS aponta que, apesar dos menores índices de novas infecções e mortes por AIDS em 30 anos, o mundo enfrenta risco de retrocesso na meta de eliminar a doença como ameaça à saúde pública até 2030.

Divulgado durante a 26ª Conferência Internacional de AIDS, o documento destaca que a ciência vive um dos períodos mais promissores da prevenção ao HIV, com novas tecnologias como medicamentos injetáveis de longa duração e opções preventivas mais eficazes. No entanto, o desafio atual está em garantir que essas ferramentas cheguem às populações que mais precisam.

Em 2025, foram registrados cerca de 1,2 milhão de novos casos de HIV e 570 mil mortes relacionadas à AIDS no mundo. O UNAIDS alerta que os avanços seguem desiguais: enquanto alguns países reduziram significativamente as infecções, outras regiões registraram aumento de casos e dificuldades no acesso ao tratamento.

O relatório também cita o Brasil entre os países que ampliaram o uso de medicamentos preventivos contra o HIV, mas destaca desafios relacionados ao acesso a novas tecnologias de prevenção. A entidade ressalta que a ampliação dos serviços depende da manutenção dos investimentos e da redução de barreiras econômicas e sociais.

Outro ponto de preocupação é a queda dos recursos destinados ao enfrentamento da epidemia. Segundo o UNAIDS, os investimentos internacionais específicos para HIV diminuíram de US$ 8,8 bilhões em 2024 para US$ 7,3 bilhões em 2025, o menor nível registrado em quase duas décadas.

A redução dos financiamentos já impacta programas comunitários de prevenção, distribuição de preservativos e atendimento a grupos mais vulneráveis, principalmente em países onde grande parte das ações depende de apoio externo.

Apesar dos desafios, o UNAIDS afirma que a eliminação da AIDS como ameaça à saúde pública até 2030 ainda é possível, desde que haja continuidade dos investimentos, ampliação do acesso à prevenção e fortalecimento das políticas de saúde. A organização estima que o cumprimento das metas globais poderá evitar milhões de novas infecções e mortes relacionadas à doença.

Fonte: Organização das Nações Unidas (ONU) / UNAIDS

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