Dormir menos do que o recomendado pode trazer consequências que vão muito além do cansaço. Irritabilidade, dificuldade de concentração, perda de memória, redução da coordenação motora e queda da imunidade estão entre os efeitos imediatos da privação de sono. Quando o problema se torna frequente, especialistas alertam para riscos ainda maiores, como diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, distúrbios hormonais e comprometimento das funções cognitivas.
Segundo o médico clínico Jailton Walace Silva, o sono desempenha papel fundamental na recuperação do organismo.
"A privação de sono gera um estresse no organismo que reduz nossas barreiras imunológicas. O sono é um dos principais mecanismos de regeneração do corpo", explica.
A médica de família e comunidade Analice Lelis acrescenta que os primeiros sinais costumam surgir após apenas uma ou duas noites mal dormidas, com sintomas como irritabilidade, sonolência e dificuldade de concentração. Entretanto, quando a falta de sono se torna crônica, os impactos sobre a saúde são significativamente maiores.
De acordo com a especialista, manter uma rotina com poucas horas de sono pode provocar:
- redução da imunidade e maior vulnerabilidade a infecções;
- alterações metabólicas, como resistência à insulina, obesidade e aumento do risco de diabetes tipo 2;
- hipertensão arterial e doenças cardiovasculares;
- prejuízos permanentes na memória, concentração e aprendizagem;
- maior risco de ansiedade, depressão, Alzheimer e outras demências;
- osteoporose;
- disfunções hormonais;
- envelhecimento precoce.
"A perda ocasional de uma noite de sono pode acontecer, mas isso não deve virar rotina. Os prejuízos são cumulativos e tendem a comprometer a saúde ao longo do tempo", reforça Analice.
Segundo Jailton Walace, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, de forma geral, cerca de oito horas de sono por noite. No entanto, a necessidade pode variar conforme fatores individuais, como idade, estilo de vida, rotina de trabalho e condições de saúde.
Analice detalha que o tempo considerado saudável varia conforme a faixa etária:
- adultos entre 18 e 60 anos: de 7 a 9 horas;
- pessoas acima de 60 anos: entre 7 e 8 horas;
- adolescentes: de 8 a 10 horas;
- crianças e bebês: mais de 10 horas por dia.
"O ideal é adequar o tempo de sono levando em consideração idade, genética, nível de estresse, doenças e demandas cognitivas e emocionais", afirma.
Embora seja possível compensar parte das horas perdidas durante o dia, os especialistas explicam que a qualidade do descanso não é a mesma.
"O sono diurno costuma ser mais curto, fragmentado e menos reparador que o sono noturno, mesmo quando a duração é semelhante. Trabalhadores noturnos, por exemplo, apresentam maior redução da atenção, pior desempenho cognitivo e mais sintomas psiquiátricos", destaca Analice.
Jailton Walace explica que essa diferença ocorre devido ao ritmo circadiano, conhecido como relógio biológico. A exposição à luz durante o dia reduz a produção de melatonina, hormônio responsável por induzir o sono e favorecer as fases mais profundas do descanso.
"Sem a redução da luminosidade, a pessoa tende a apresentar um sono menos profundo, comprometendo processos importantes de recuperação e regeneração do organismo", explica.
Além da melatonina, a alteração dos horários de sono interfere na produção de hormônios como cortisol e insulina, responsáveis por regular diversas funções do corpo.
Sono de qualidade é um aliado da saúde
Os especialistas reforçam que manter uma rotina regular de sono é uma das principais estratégias para preservar a saúde física e mental. Dormir a quantidade adequada de horas e respeitar o relógio biológico ajuda a fortalecer o sistema imunológico, reduzir o risco de doenças crônicas e melhorar o desempenho cognitivo, contribuindo para mais qualidade de vida no presente e no futuro.
Fontes: médico clínico Jailton Walace Silva; médica de família e comunidade Analice Lelis
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