A campanha Julho Amarelo chama a atenção da população para a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento das hepatites virais, doenças que frequentemente não apresentam sintomas nas fases iniciais e podem causar graves complicações hepáticas. A mobilização busca incentivar a vacinação, a realização de exames e a adoção de medidas preventivas para reduzir os casos da enfermidade no Brasil.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, entre os anos de 2000 e 2024 foram registrados mais de 826 mil casos confirmados de hepatites virais no país. As hepatites dos tipos B e C concentram a maior parte das notificações e representam os principais casos de infecção crônica, podendo evoluir para cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente.
Segundo o cirurgião do aparelho digestivo e especialista em transplante hepático, Lucas Nacif, responsável técnico pelo Programa de Transplante de Fígado da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, a ausência de sintomas continua sendo um dos maiores desafios no combate à doença.
"As hepatites virais podem permanecer assintomáticas por muitos anos, fazendo com que muitos pacientes descubram a infecção apenas quando o fígado já apresenta lesões importantes", explica o especialista. Ele ressalta que o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de sucesso do tratamento, reduz complicações e pode evitar procedimentos de alta complexidade, como o transplante hepático.
As hepatites virais são inflamações causadas pelos vírus dos tipos A, B, C, D e E. As formas de transmissão variam conforme o tipo da doença e incluem ingestão de água ou alimentos contaminados, relações sexuais sem preservativo, contato com sangue infectado e compartilhamento de objetos perfurocortantes.
Especialistas destacam que a prevenção passa pela vacinação contra as hepatites A e B, pelo uso de preservativos, pela utilização de materiais esterilizados em procedimentos médicos, odontológicos e estéticos, além da realização periódica de testes, especialmente entre pessoas com fatores de risco ou que nunca realizaram o exame.
Para Lucas Nacif, ampliar a cultura da testagem é essencial para reduzir o impacto da doença na saúde pública. Segundo ele, o exame para detectar hepatites deve ser incorporado aos cuidados preventivos da mesma forma que já ocorre com o controle da pressão arterial, diabetes e colesterol, permitindo interromper a cadeia de transmissão e iniciar o tratamento antes do surgimento de complicações.
Durante o Julho Amarelo, autoridades de saúde reforçam que informação, vacinação e diagnóstico precoce são as principais estratégias para combater as hepatites virais. Como as infecções podem permanecer silenciosas por anos, a realização de testes e o acompanhamento médico são fundamentais para preservar a saúde do fígado e evitar o avanço da doença.
Fonte: Ministério da Saúde e Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo
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