Estudo da Ufba alerta para risco de grave lesão no fígado causado por suplemento para emagrecimento

Pesquisa identificou substâncias não declaradas em produto vendido pela internet e reforça a necessidade de fiscalização de suplementos sem controle sanitário.

Foto: Divulgação Ascom PCBA.

Um estudo desenvolvido por pesquisadores do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes-Ufba) revelou que o consumo de suplementos para emagrecimento comercializados sem controle sanitário pode provocar lesão hepática aguda grave. A pesquisa aponta adulteração na composição do produto analisado e destaca os riscos à saúde de itens vendidos pela internet.

Publicado na revista científica internacional Toxicology Reports, o estudo investigou o caso de um paciente que desenvolveu grave lesão no fígado após utilizar um produto voltado à perda de peso. Durante a investigação clínica, os especialistas descartaram outras possíveis causas, como hepatites virais, doenças autoimunes e alterações estruturais hepáticas.

Para identificar a origem da toxicidade, a equipe utilizou uma abordagem multidisciplinar, reunindo avaliações clínicas, análises químicas e testes toxicológicos. A relação entre o suplemento e a lesão hepática foi classificada como "altamente provável" por meio do método internacional Updated RUCAM (2016), utilizado para avaliar danos hepáticos relacionados a medicamentos e suplementos.

As análises laboratoriais detectaram diversos compostos não informados ao consumidor, evidenciando adulteração e divergências entre a composição real do produto e as informações apresentadas na comercialização. Segundo os pesquisadores, os resultados reforçam a importância da farmacovigilância e do controle sobre suplementos vendidos como "naturais", especialmente aqueles adquiridos pela internet.

O trabalho também foi apresentado no Congresso da European Association for the Study of the Liver, realizado em Barcelona, na Espanha, ampliando a visibilidade internacional da pesquisa desenvolvida pelo Hupes-Ufba.

Os pesquisadores alertam que a autenticação química aliada à avaliação clínica especializada é fundamental para identificar produtos adulterados e proteger a saúde da população. O estudo também reforça a necessidade de intensificar a fiscalização de suplementos comercializados sem rastreabilidade e controle de qualidade.

Fonte: Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes-Ufba/Rede HU Brasil)

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