Cerca de 39 milhões de brasileiros vivem em áreas suscetíveis à desertificação, processo de degradação ambiental que reduz a capacidade do solo de reter água e sustentar a produção de alimentos e a biodiversidade. O fenômeno está associado principalmente ao uso inadequado da terra, desmatamento e mudanças climáticas.
Dados da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) apontam que aproximadamente 18% do território brasileiro está em áreas suscetíveis à desertificação. Entre 2000 e 2020, a área afetada passou de 1,35 milhão para 1,51 milhão de quilômetros quadrados.
O problema atinge principalmente os estados do Nordeste, além de áreas de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. A Caatinga concentra alguns dos cenários mais críticos, com cerca de 11% do bioma em níveis severos ou críticos de degradação do solo.
Caatinga é estratégica no combate às mudanças climáticas
Apesar dos impactos, a Caatinga também apresenta grande capacidade de contribuir para a preservação ambiental. Estudos apontam que o bioma possui elevada eficiência no armazenamento de carbono, principalmente no solo, desempenhando papel importante na redução dos efeitos das mudanças climáticas.
Entre as estratégias de enfrentamento estão a recuperação de áreas degradadas, sistemas agroflorestais, manejo sustentável, preservação de sementes adaptadas ao clima e tecnologias de armazenamento de água, como cisternas e pequenas barragens.
Em 2026, o governo federal lançou o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil 2025–2043). Também foi criado o Programa Recaatingar, que prevê a recuperação produtiva de 10 milhões de hectares degradados da Caatinga ao longo de 20 anos.
As iniciativas buscam unir recuperação ambiental, segurança hídrica, geração de renda e adaptação às mudanças climáticas, valorizando também o conhecimento das comunidades que vivem no semiárido.
O tema estará entre os assuntos discutidos na COP17 de Combate à Desertificação, que será realizada na Mongólia entre 17 e 28 de agosto. As discussões devem abordar medidas para conter a degradação das terras e ampliar ações de adaptação e recuperação ambiental.
Fontes: Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) / agência Brasil
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