O Brasil registrou um aumento preocupante nos casos de violência sexual contra crianças ao longo da última década, segundo dados do Atlas da Violência. Entre crianças de 0 a 4 anos, as notificações saltaram de 1.671 em 2014 para 7.845 em 2024, um crescimento superior a quatro vezes no período.
O levantamento, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Ipea, aponta que o avanço não se restringe à primeira infância. Entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos, a faixa etária mais atingida, os registros passaram de 6.594 para 29.135 casos em dez anos, o que representa mais de 22 mil novas ocorrências.
De acordo com o estudo, somente nesse grupo etário o país registra, em média, cerca de 80 notificações diárias de violência sexual. Em 2024, essa faixa concentrou aproximadamente 66% de todas as notificações envolvendo menores de 19 anos, evidenciando um padrão persistente de vulnerabilidade.
O relatório também chama atenção para o ambiente em que os crimes ocorrem. Entre crianças de até 4 anos, cerca de 80% dos casos acontecem dentro da própria residência, sendo que quase 80% dos agressores são pessoas do convívio familiar, como pais, padrastos ou parentes próximos.
Outro dado preocupante é a forte desigualdade de gênero: meninas representam 86,9% das vítimas de violência sexual no país. O Atlas ainda destaca que muitos casos envolvem múltiplas formas de violência simultânea, como abuso físico, psicológico e negligência.
Os pesquisadores alertam que os números representam apenas os casos notificados, podendo haver uma subnotificação significativa, já que muitas vítimas não conseguem denunciar ou são identificadas apenas por redes de proteção como escolas e serviços de saúde.
O estudo reforça que a violência sexual infantil no Brasil é um problema estrutural e silencioso, que avança principalmente dentro do ambiente doméstico, onde deveria existir proteção e segurança.
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública / Ipea / Atlas da Violência
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