Fim da ‘taxa das blusinhas’ gera reação da indústria e divide setor varejista

Entidades criticam impacto sobre empregos e produção nacional, enquanto plataformas defendem alívio no consumo popular.

Foto: CNI/José Paulo Lacerda.

A decisão do governo federal de zerar o imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”, provocou forte repercussão entre representantes da indústria, do varejo e plataformas de comércio eletrônico. A mudança entrou em vigor nesta quarta-feira (13) e mantém apenas a cobrança de 20% do ICMS sobre as encomendas internacionais.

Entidades ligadas à produção nacional avaliam que a medida amplia a concorrência desigual com produtos importados e pode afetar diretamente micro e pequenas empresas. A Confederação Nacional da Indústria afirmou que a decisão beneficia fabricantes estrangeiros e pode gerar perda de empregos no país.

O Instituto para Desenvolvimento do Varejo também demonstrou preocupação com a redução da competitividade do comércio nacional, alertando para riscos de queda nas vendas, fechamento de fábricas e diminuição da reposição de estoques. Segundo a entidade, após a criação da taxação em 2024, o setor registrou crescimento na geração de empregos e investimentos.

Já a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção classificou a revogação da cobrança como um erro econômico, argumentando que empresas brasileiras seguem enfrentando elevada carga tributária e custos operacionais maiores do que plataformas estrangeiras.

A Associação Brasileira do Varejo Têxtil repudiou o fim da tributação e afirmou que a medida representa ameaça aos empregos e à arrecadação nacional, principalmente entre pequenos negócios do setor têxtil.

Em sentido contrário, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia comemorou a decisão. A entidade, que reúne empresas como Amazon, Alibaba, Shein e 99, defendeu que a cobrança encarecia produtos e reduzia o poder de compra das classes de menor renda.

A tributação de 20% sobre compras de até US$ 50 havia sido criada em 2024 dentro do programa Remessa Conforme, voltado à regulamentação das importações feitas em plataformas internacionais. Para compras acima desse valor, permanece a cobrança de 60% de imposto de importação.

Dados da Receita Federal indicam que o imposto arrecadou R$ 1,78 bilhão entre janeiro e abril de 2026, valor 25% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Fontes: Confederação Nacional da Indústria (CNI), Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) / agência Brasil

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